Recordando O Caminho De Ferro E A Sua Origem

    • RE: Recordando O Caminho De Ferro E A Sua Origem

      ...LIGAÇÕES DA KATANGA COM A EUROPA


      Via LOBITO:

      - Tshilongo - Fronteira.......................587 Quilómetros
      - Fronteira - Lobito..........................1346 Quilómetros.
      - Tshilongo - Lobito.........................1933 Quilómetros...................1208 milhas marítimas.
      - Lobito - Southamptom--------------------------------------------------4900 milhas marítimas.
      Tshilongo - Southampton------------------------------------------------6108 milhas marítimas.


      VIA BEIRA:

      - Tshilongo - Sakania.........................497 Quilómetros
      - Sakania - Beira...............................2362 Quilómetros
      - Tshilongo - Beira............................2859 Quilómetros...................1786 milhas marítimas.
      - Beira - Southampton------------------------------------------------------7855 milhas marítimas
      - Tshilongo - Southampton-------------------------------------------------9641 milhas marítimas

      Via CAPE TOWN:

      - Tshilongo - Sakania...........................497 Quilómetros
      - Sakania - Cape Town......................3468 Quilómetros
      - Tchilongo - Cape Town...................3965 Quilómetros---------------2477 milhas marítimas
      - Cape Town - Southampton----------------------------------------------6350 milhas marítimas
      - Tshilongo - Southampton------------------------------------------------8827 milhas marítimas.


      DISTANCIA VIA LOBITO COMPARADA COM VIA BEIRA ( em milhas )

      Katanga - Southampton:

      - Via Lobito: 1208 milhas por terra e 4900 milhas por mar. TOTAL= 6108 milhas.

      - Via Beira: 1786 milhas por terra e 7855 milhas por mar. TOTAL = 9641 milhas.

      DISTANCIA A FAVOR DA VIA LOBITO = 578 milhas por terra e 2955 milhas por mar. TOTAL = 3553 milhas.


      DISTANCIA VIA LOBITO COMPARADA COM VIA CAPE TOWN

      Katanga - Southampton:

      - Via Lobito: 1208 milhas por terra e 4900 milhas por mar. TOTAL = 6108 milhas

      - Via Cape Town: 2477 milhas por terra e 6350 milhas por mar. TOTAL = 8827 milhas

      DISTANCIA A FAVOR DA VIA LOBITO: 1269 milhas por terra e 1450 milhas por mar. TOTAL = 2719 milhas.
    • RE: Recordando O Caminho De Ferro E A Sua Origem

      Resumidamente, lembremo-nos que foi em 1902 que a rainha D. Amélia, ao tempo regente do reino durante a ausência de D. Carlos, hóspede de Eduardo XII em Windsor,quem assinou a concessão autorizando o grande pioneiro Inglês Sir Robert Williams, engenheiro de minas, a construir aquele Caminho de Ferro.

      Sem o apoio e a alta visão imperial de alguns portugueses ilustres da época era possivel que Sir Robert Williams nunca tivesse alcançado os seus objectivos. Foram eles, entre outros, o marquês de Soveral, ministro de Portugal em Londres, que recomendou para o Governo de Lisboa a pretensão e a figura de Williamse; Teixeira de Sousa, então Ministro do Ultramar, que corajosamente enfrentou as campanhas de descrença e soube promover a concessão.

      O Caminho de Ferro sobre o qual o combóio deslizava veloz, fora construido especialmente para completar a obra de penetração ferroviária do Continente Africano e servir também de transporte ao cobre do Katanga, que nãp possuia meio mais fácil e menor distância para alcançar o mar, ao mesmo tempo que se valorizava toda a enorme faixa de terra de Benguela à fronteira, só percorrida pelos pombeiros e feirantes que mercadeavam com os indígenas e os militares fiéis que mantinham a soberania portuguesa.

      Com a abertura da grande Linha Férrea tudo se modificara, e Angola entrara decisivamente no caminho do progresso. Criaram-se mais povoações. Uma vida intensa acompanhava a marcha do combóio. As populações nativas civilizavam-se, ao mesmo tempo que a nova artéria lançava as bases de uma era de colonização a dar um forte impulso à parte sul do Congo Belga, permitindo-lhe assim, enfrentar melhor o Futuro. E nas relações anglo-lusas, o Caminho de Ferro representava o robustecimento de uma aliança secular.

      A abertura da longa estrada onde eram assentes os trilhos de aço levou, com acabámos de ver, anos a reralizar

      Foi necessário que os homens a quem incumbiu a materialização do sonho de Sir Robert Williams, a começar por ele próprio, tivessem uma extraordinária perseverança, para não fracassarem no caminho. Era preciso levar esta linha férrea à fronteira antes que ingleses e belgas a trouxessem até território português, porque os trilhos avançavam das Rodésias rumo ao Congo, apesar de estarem ainda a muitas centenas de quilómetros.

      Os trabalhos, como vimos também, foram finalmente iniciaddos em Março de 1903. depois de várias interrupções motivadas por causas importantes e superiores à vontade dos homens, foram dadas por concluidas em princípios de 1929 e a linha solenemente inaugurada a 6 de Junho desse ano.

      Mas quantas lutas, quantas canseiras, quanto dispêndio de energia !

      O material - milhares de toneladas - era descarregado no Lobito, um porto que nessa altura ninguém conhecia. A água era levada no dorso de pachorrentos camelos e o pouco trabalho dos indígenas, eram contrariedades a vencer a cada momento. As inúmeras obras de arte que foram necessárias construir, como os cortes feitos nas SERRAS e os aterros e, sobretudo, a luta contra a eterna incompreensão de quantos hostilizavam a construção de um Caminho de Ferro que tentos benefícios deveria trazer para a provincia, foram contrariedades que aqueles homens fortes venceram.

      Quantos naquele festivo dia de 1929 viram a primeira locomotiva engalanada por numerosas bandeiras chegar à Estação de Teixeira de Sousa, mal julgavam estarem vivendo as horas felizes de um sonho que se alimenta mas jamais se consegue realizar...
    • RE: Recordando O Caminho De Ferro E A Sua Origem

      ...A vitória tinha sido por fim alcançada, ainda que à custa de muitas lutas e muito dinheiro. Poucas vezes os esforços de tantos haviam conseguido alcançar triunfantemente o objectivo previsto.

      Levar, é um facto, vinte e seis anos a transformar-se em realidade. Mas a linha aí estava como mais uma certeza do esforço Português. Porque se realmente Sir. Robert Williams foi o cérebro que idealizou o Transafricano, a parte correspondente a Portugal, do Lobito ao Luau representava obra Portuguesa. E ela aí estava a testemunhar a nossa admirável contribuição para o progresso do Continente Africano.

      Ao comemorar-se em 1952 o cinquentenário da fundação da Companhia do Caminho de Ferro de Benguela, o então ministro do Ultramar, grande figura de português e marinheiro, comodoro Sarmento Rodrigues, fez nessa ocasião e no decorrer de uma cerimónia pública, entre outras, a seguinte afirmação que se arquivou para a História.

      « Ainda que se pense que Robert Williams tinha só em vista a ligação das minas do Katanga com o mar, o consegui-lo seria já um grande serviço para Portugal. Mas o que os homens do Estado Português sabiam era que além do que isso representava como afirmação da soberania e de colaboração no desenvolvimento dos territórios estrangeiros do interior de África, haveria também o desbravamento e ocupação efectiva do nosso território, o aproveitamento dos seus ignorados recursos e a criação de novas condições de vida ».

      Realmente pela boca de um estadista de alta visão dos problemas ultramarinos portugueses, meio século depois, tinham plena confirmação as palavras que no dia 2 de Janeiro de 1903 o rei D. Carlos I proferira, no discurso de abertura solene das Cortes, relativas às Providências com que o Governo procurara atender as necessidades de valorização e desenvolvimento económico dos nossos territórios do Ultramar.

      O contracto para a construção do Caminho de Ferro de Benguela era a pedra basilar desse grande empreendimento, ao mesmo tempo que « reafirmava a cooperação amigável de Portugal e da Inglaterra » - expressão de Sir Robert Williams no acto da inauguração da linha férrea, junto da fronteira do Congo Belga, em Junho de 1929, vinte e sete anos depois de lhe ter sido dada a concessão.

      A linha férrea , atravessando Angola quase na sua maior largura, insuflou à nossa maior provincia ultramarina uma seiva pujante, facilitando assim, o aparecimento de outros núcleos populacionais, a criação de novas culturas, o desabrochar para uma vida de riquezas até então em esquecimento ou ignorância. « O mais belo exemplo de cooperação de energias nacionais com os capitais estrangeiros que há a registar na nossa história colonial » - assim o classificou uma ilustre figura portuguesa.

      Sir Robert Williams havia sido o grande obreiro desse extraordinário empreendimento. Por isso, sobre o seu peito sangravam as insignias da Comenda de Cristo justamente conferidas a quem tão bem as soubera merecer.