Senhora do Monte

    • Vandumbo,
      estava a estranhar que, com tanta gente de lá, não estreassem o fio. Parabéns e animem isto...vim como visita!
      Talvez a mais bela cidade de Angola e de clima mais ameno, razão que levou a fixarem-se primeiros colonos. Tundavala,Leba...não vivi aqui - Lubango (Sá-da-Bandeira), mas nasci.Fiz visitas aos meus tios.
      Na Huíla vivi em Galangue,Gungue,Jamba...
      Andei espiando aqui: hunakulu.blogspot.com/
    • Sá da Bandeira 1964/1967

      Que ternura me dá sempre que recordo os três anos lá vividos!.
      E olhem que estive interna no Paula Frassinetti!

      Foram anos bem marcantes não só em mim mas no grupo de amigas e amigos que estudámos, naquela cidade conhecida pela "Coimbra Africana"
      Aos domingos de manhã, todas as que nos esforçámos para ter uma boa voz e pertencer ao Coro, lá íamos cantar à Missa da Sé.
      Depois do almoço uma passeata pelo "Rio das Pedras" ou outros bairros da cidade mais sossegados.(não fossem os rapazes darem por nós e seguirem-nos nos seus carros)
      Poucos foram os passeios concedidos até ao PICADEIRO onde o residentes e estudantes brincalhões, passeavam nas tardes de domingo do princípio ao fim a rua e voltando novamente a percorrer a rua em sentido contrário.
      E nós as meninas do colégio, ladeadas de duas freiras, todas em carreirinha absorvendo pelo canto do olho tudo o que era possivel para recordar e fofocar, até que voltássemos a ter a benesse de por lá passar.

      Nos 1ºs domingos do mês, quem tivesse um encarregado de educação na cidade,lá podia sair da clausura!
      E foi assim que assisti a umas matinées no Cine Odeon, que fui até à piscina da Senhora do Monte, que em pleno verão se enchia de gente encalorada e ainda fui a umas tardes dançantes no Liceu Diogo Cão!
      E à noite as serenatas que tenderam a desaparecer, tantos os entraves que as freiras faziam aos pobres estudantes.

      Sobre a Senhora do Monte também lá subi a escadaria até à Capelinha quer em passeio, quer na leva da Procissão que se fazia no dia a Ela consagrado.
      Muitas lembranças tenho guardadas em memória e nos meus diários.
      Aos poucos, se quiserem posso ir contando.
      Não se esqueçam que isto se passou há muito muito tempo.
      Entre os anos de 1964 e 1967.
      Depois, voltei a Luanda!


      LUA AFRICANA (Dina)|
    • Sá da Bandeira 31.05.1965

      Porque quem abriu o fio da Huila deu grande relevo à Capelinha da Senhora do Monte, vou continuar a escrever sobre Sá da Bandeira no mesmo.
      E hoje,abrindo uma Agenda/Diario dei com uns versos que escrevera, possivelmente numa Sala de Estudo, agenda metida entre livros e cadernos.
      Não esperem nada de eloquente, pois só quem viveu naquele meio pode entender como éramos românticas, sensiveis, como gostávamos de passar para o papel os sentimentos que nos torturavam ou alegravam.

      Estes foram inspirados nas badaladas que eu ouvia no dormitório do colégio, antes de adormecer.

      BALADA TRISTE

      Balada Triste
      dos sinos da velha Sé
      de paredes enegrecidas pelos anos...
      Balada triste
      que alegras meu coração
      ao escutar o teu som doloroso!
      Balada triste
      que todas as noites
      enquanto a humanidade repousa
      te fazes sentir, amargamente.
      Balada triste
      que todos os dias
      à mesma hora
      eu escuto com ansiedade...
      Balada triste
      tal como o gemido
      de uma guitarra
      tocada por jovem estudante apaixonado!
      Balada triste
      companheira da incansável costureira
      para matar a fome ao seu filhinho
      Balada triste
      dos sinos da velha Sé
      enegrecida pelos anos!
      Balada triste
      que alegras o meu coração!




      LUA AFRICANA- na altura somente Dina-