Histórias de guerra, tem uma para contar?

    • alferes fernando cardoso

      Caro amigo O PISTOLAS

      Li o que escreveu acerca do ex alferes Fernado Cardoso, e fiquei surpreendido, por encontraralguem a falar sobre esse "guerrilhero", condecorado com a medalha de prata de merito militar com palma. Quanto a mim que tive a honra de fazer alguma operações com ele e o seu GE300, quando estava na C.Caç. 2360, no Lumeje-Luso, dizia, quanto a mim, muito pouco por tudo o que ele fez no Leste de Angola, mais propriamente na zona do Luso! No minimo uma Torre Espada... mas a irreverencia deste herói era por demais uma espinha na garganta dos senhores da Guerra, que optaram por lhe dar uma migalha, deixando para eles os louros da "Vitoria no Leste de Angola", se é que houve uma Vitoria.

      Escrever sobre o que este Homem fez em Angola, dava um romance, e o espaço é curto e o tempo pouco. Apenas quero aqui deixar escrito que os senhores generais, gostam mais de se colar às tropas especiais, comandos, paras, fuzos, etc. Por isso nos diversos livros que tenho e li, nunca vi uma referencia a esse homem, que a meu ver INFLUENCIOU a guerra no Leste de Angola! Como ex alferes miliciano que sou, pelos vinte e sete meses de Leste de Angola que tive (Lumeje e Ninda), pelas tropas que conheci e com quem operei, especiais ou do arre macho como as dos dois batalhões onde servi, não encontrei ninguem como o Cardoso! Foi talvez o unico operacional que encontrei que sabia o que andava a fazer e o fazia tão bem que obteve mais e melhores resultados, que qualquer outra tropa no terreno, na época. Felizmente sobreviveu à mina assassina, embora cego de um olho, tendo estado em coma devido aos graves ferimentos que teve!
    • Caríssimo Ruca, boa tarde!


      Passei por aqui acidentalmente. Li-o e tento compreende-lo, mas permita-me que lhe diga que fez afirmações com as quais não posso concordar.
      1 - Depois da criação dos "grupos especiais", o exército regular continuou, em inúmeras situações, a actuar ofensivamente, como que de grupos especiais se tratasse.
      2 - Afirmar que em 1967 «circulava-se completamente à vontade por Angola» é outra inverdade. Cheguei a Angola em finais de 1965, de lá regressando no início de 1968. Em 1967 e 1968 ainda havia muito território (falo só do Norte, por onde andei) em que isso era impossível. Na zona de QUIBALA DO LOGE, para me referir apenas a uma área relativamente pequena, aonde havia permanecido cerca de 14 meses antes de ser transferido para a linha de fronteira com o ex-Congo Belga, ainda morreu muita gente no confronto directo com a guerrilha, que já se encontrava bem apetrechada de armamento. Circular à vontade pelo menos por ali era, pois, impossível.
      Claro que nesses 13 anos de luta armada dos independentistas, a maior parte do território angolano saiu ileso. Ainda bem que assim foi. E mesmo no Norte, várias da povoações que tinham sofrido o impacto inicial já se encontravam mais ou menos em segurança devido à presença efectiva das nossas tropas. Mas fora desses redutos, mais ou menos alargados, a situação continuava periclitante.
      Um abraço.
      Sérgio O. Sá