Nova Lisboa - E.A.M.A.

    • Álvaro Pelicano escreveu:

      Zeca França escreveu:

      Álvaro Pelicano escreveu:

      A
      Todos os EAMISTAS e Madrinhas, uma
      BOA SEMANA.
      Abraços aos "mininos" EAMISTAS e bjinhos ás "mininas" Madrinhas,
      Álvaro Pelicano
      CSM / 68



      Obrigado, igualmente para ti.


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      Amigo Zeca:
      Realmente, esta malta está toda de Fim de Semana prolongadíssimo!... É pena.
      Restas tu e, de vez em quando, eu.
      Mas vamos estando por aqui, ok?
      Abraços,
      Álvaro Pelicano
      CSM / 68


      Alô Amigo Pelicano.
      É como vês. A malta entrou de licença e já não volta.

      E eu também andei ausente, mas foi por doença. Estive internado uma semana, mas parece estar resolvido agora.
      Daqui a um mês voltamos à liça com novos exames.
      Mas o médico pôs-me à vontade.

      Um abraço


      ZECA FRANÇA

      CSM/68
      ZECA FRANÇA
    • Mudam-se os tempos, mudam-se as verdades...

      marius70 escreveu:



        Cidade virada para o progresso, onde não faltam monumentos e jardins e onde todos os dias se levantam novas estruturas para novos prédios. A característica desta cidade é a falta de movimento. É muito pacata, uma cidade onde a limpeza impera e embora não tendo praias tem outras belezas nos morros que a circundam.

        Escrevi isto sobre Nova Lisboa em 1973.

        A ideia inicial quando conheci Nova Lisboa, era de uma cidade pacata demais para o meu gosto habituado ao bulício da cidade de Luanda. Meses mais tarde não queria outra coisa. Apaixonei-me por esta cidade.

        Nos fins-de-semana, quase sempre, hospedava-me na «Pensão Mimo», creio que se situava perto de umas bombas de gasolina numa rua paralela ao Ruacaná. Depois com o tempo passava-os no Hotel Turismo. Lembro-me de me levantar, ir para a varanda do Hotel e sentir o pulsar da cidade a “acordar”. O tempo, esse, era magnífico. Ao contrário do clima de Luanda quente e húmido, em Nova Lisboa o tempo era fresco e quase sempre havia uma neblina matinal e como eu gostava de sentir o fresco da manhã ali naquela varanda.

        Os cinemas a que ia frequentemente eram ao “Ruacaná” e ao “Cine Estúdio 404” (dizia na altura que era mais ou menos o estilo do Cinema S. Paulo no Bº S. Paulo – o meu bairro - em Luanda). Francamente 34 anos passados já não sei situar esse cinema em Nova Lisboa.

        A melhor casa de modas, a “Nova York”, com diversas secções cada uma apresentando os seus artigos (escrevi que eram como os “Armazéns do Minho” da baixa de Luanda).



        Um jardim que muito frequentava era o Jardim da Praça Salazar perto do Ruacaná onde passava horas a ler (comprava os livros na “Livraria Lello”), onde haviam umas árvores que “pingavam”. Um camarada disse-me que eram conhecidas por “árvores choronas”. Choronas ou não, era um jardim muito bonito, como eram quase todos os jardins desta cidade, com uma fonte, a «Fonte Luminosa», com um espectáculo de luzes ao anoitecer.



        O Restaurante que muito frequentei, estava situado mesmo em frente a este jardim, era o “Koringas”. Ali tomava as minhas refeições.

        Também fui algumas vezes até ao Restaurante “Imbondeiro”.

        “Se alguém passar a vosso lado e vos segredar em vós de desânimo procurando convencer-vos de que não podemos manter tão grande império expulsai-os do convívio da Nação”.

        Palavras de Norton de Matos fundador da Cidade de Nova Lisboa, que se encontravam inscritas na coluna do monumento a ele dedicado na Praça Manuel Arriaga.

        As figuras de mulher esculpidas no monumento representam um dado atributo ao fundador desta cidade: Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.



        Em frente ao monumento eram os Correios (belo edifício).

        Na imagem em baixo do lado esq., uma escola do Ensino Secundário na Rua 5 de Outubro rua que nos levava ao Ruacaná. No jardim, no lado dto, havia uma Gelataria chamada “Veneza” onde os estudantes esgotavam o stock de semi-frios rapidamente. Havia também o Himalaia onde, além dos gelados, tinha um bom vinho verde e muitas imperiais lá bebi.



        Haviam dois mercados Municipais, um na cidade Alta com uma arquitectura moderna...



        … E um outro mais antigo na Praça Vicente Ferreira (com um Monumento muito bem conseguido). Um mercado bem mais pequeno e com poucas bancas de venda no seu interior.



        Havia uma piscina do “Club” du Chemin de Fer como diz aqui o meu postal, ou seja, a Piscina do “Ferrovia” piscina que nunca frequentei. Já bastavam os banhos na lagoa lá no quartel.



        Nova Lisboa era uma cidade jardim. A Estufa-Fria perto do jardim Américo Tomás era de visita obrigatória e eu, claro, estive lá.



        Bairros de Nova Lisboa tinham nomes de Santos, S. Pedro, S. João (este era muito conhecido ), outros eram o Bº do Benfica, Académico, do C.F.B., Cavalo Branco mas um dos Bairros que me lembro bem era o Bº Bom-Pastor perto do Mambroa (campo do Benfica do Huambo). Perto do bairro havia um bosque frondoso com pinheiros onde corria uma brisa fresca e suave (escrevi isto na altura). Era ali que muitas vezes a tropa descansava a “piquenicar”.
      Faço referência também ao “Estádio de Cacilhas” no Bairro do Cacilhas, foi lá jogar o Boavista em 29 Abril de 1973.

        Fazia-se por lá, uma feira onde a diversão imperava, com carrinhos de choque, carrosséis e umas boas febras se comiam nas barracas de comes e bebes, ainda lá perdi 50 “paus” num jogo que não me lembro qual.

        Em 7 de Abril de 1973 escrevia-a eu: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

        Um ano e alguns dias depois mudaram-se os tempos, as vontades eram de continuar num país que tinha espaço para todos. Infelizmente assim não aconteceu e, a Nova Lisboa que conheci, foi derrubada ao som de tiros e morteiradas. Hoje só resta a lembrança.



        Nesse mesmo mês, fui para os «Comandos» em Luanda, nunca mais voltei a Nova Lisboa.

      ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Amigo: Nesta sequência de imagens da nossa Nova Lisboa, entre todas realça a "minha" piscina, a piscina do meu FERROVIA, onde aprendi a nadar com pouco mais de 5 anos e acabei a fazer natação de competição. Depois, depois realço as ruínas do emblam,ático Cine Ruacaná e da Nova York, completamente destruídos e ao abandono. É TRISTE. Abraços, Álvaro Pelicano Fur. Milº - CSM / 68
      Álvaro Pelicano