Nova Lisboa - E.A.M.A.

    • RE: Nova Lisboa - E.A.M.A.

      Originalmente escrito por Monajamba
      Olá RUCA,
      Não, porque na EAMA só fiz a recruta de 22/Jan/68 a 7/Abr/68, tendo seguido para Luanda e dando entrada no Btm1 a 21/Abr/68 ainda como Sold.Miliciano.
      Só fui promovido a 1º Cabo Miliciano a 7/Jul/68 após ter terminado a especialidade em Transmissões (TSF).
      Um abraço
      (Monajamba)


      Monajamba:
      Também eu estive na EAMA, no CSM / 68, 3ª Companhia, de 21.Janeiro.1968 até 07(?).Julho.1968, quando fui promovido a Cabo Miliciano. Segui para o RI 21 (Nova Lisboa), dei instrucção, fiz o IAO (Instrucção Aperfeiçoamente Operacional) e em Janeiro de 1969, como Furriel Milicinao, fui para o Leste de Angola, para o Cavungo // Nana Candundo (nome gentílico), no saliente de Cazombo, incorporado no 6º Pelotão Independente, pelotão este conhecido pelos "Ferozes do Alto Zambeze", onde ficámos adidos a uma companhia de malta da Metrópole (como se dizia na época) até Março/70. Era um teatro de guerra e tivémos algumas baixas, infelizmente.
      Isto para dizer que estivémos ao mesmo tempo no mesmo sítio, na EAMA. Porventura cruzámo-nos e até poderemos ter falado, quem sabe, durante os 3 meses em que lá estivéste.
      É assim...
      Vai contando coisas.
      Um abraço,
      Álvaro Pelicano - CSM / 68
      Álvaro Pelicano
    • RE: Nova Lisboa - E.A.M.A.

      Originalmente escrito por marius70



      27 de Janeiro de 1973 - Sábado

        A camioneta da E.V.A. (Empresa de Viação de Angola) faz-se ao caminho cheio de mancebos que iam para a E.A.M.A. (Escola de Aplicação Militar de Angola) sediada em Nova Lisboa para o curso de Sargentos Milicianos. 650 Km era a distância entre a asa da mãe e o "nascer" de um novo ser independente.

      EVA
      Camionetas da EVA


        Chegamos por volta das 5h30m da tarde e a chover, vejam lá o nosso azar (durante a semana a chuva foi uma constante), fomos separados por companhias. Um capitão, de quem já não me lembro o nome, à nossa chegada disse que era bom irem para a companhia dele pois era uma companhia só para homens. Segundo o que mais tarde me disseram, esse capitão fez parte de um grupo que, no ataque aos acampamentos dos guerrilheiros, abriam a porta das cubatas ao pontapé, só que um dia houve um azar, as portas estavam armadilhadas e ele viu morrerem alguns soldados, a partir daí nunca mais se recompôs e enviá-lo para a E.A.M.A. foi o melhor recurso. De uma forma ou de outra acabei por não ficar nessa companhia.

        Distribuídas as dormidas, no dia seguinte foi a vez de formar à civil, à chuva, e levantar o fardamento. Tivemos um companheiro que teve que fazer a instrução durante duas semanas com a roupa civil pois não havia fardamento que lhe servisse tal era o arcaboiço dele.

      EAMA
      Em 1960 ainda não tinha o A final


        A minha companhia era composta por dois ladrões, um sargento e um capitão. Chegados ao fim do mês o pré era de tal maneira ridículo que nem dava para um baleizão (gelado).

        Pela primeira vez, que eu saiba, houve um levantamento de pré (isto em 1973), e todos nós recusámos receber o mesmo. O capitão viu o caso mal parado e tentou “comprar” os nossos líderes, enviando-os ao sargento e este à boca do cofre quis comprá-los só que aquela companhia não era uma companhia qualquer, já soprava os ventos da mudança e à recusa lá tiveram que abrir os cordões à bolsa. Ironia do destino, anos mais tarde, já eu estava em Cabinda, foi este Capitão que levou o Zeca, Adriano, Fausto e outros Cantores de Intervenção até ao Cinema Chiloango onde eu tive o prazer de cantar em pleno palco, de braço dado com o Zeca «Grândola, Vila Morena», a «Cantiga é uma arma» e tantas outras baladas que ouvia em surdina em Nova Lisboa e lá no interior do mato vegetal de seu nome Maiombe.

        A recruta foi o que se esperava. Como tinha sempre praticado desporto os exercícios não eram por demais, e aos vinte anos o corpo aguenta tudo. Na lagoa dávamos os nossos “mergulhos”, com arma, camuflado, botas e chafurdávamos na lama onde os porcos chafurdavam também. Lembro-me que um dia todo eu era lama, fui para debaixo do chuveiro fardado com arma e tudo. Depois de limpa a arma e cartucheiras às duas horas estava-me a deitar e às 5e 30 a levantar para mais um dia de instrução. Velhos tempos.

      lagoa
      A lagoa lá ao fundo


        Ao fim-de-semana a tentativa ou para ir até à cidade ou até Luanda. Alinhadinhos havia a revista para ver se estava tudo nos conformes. Cabelo curto mas com “pelugem” no pescoço, sapatos engraxados mas que a uma pisadela deixavam de estar, barba feita, mais que feita, mas que ao passar de um papel fazia o ruído característico era o suficiente para se dizer adeus à saída.

        Com o tempo iríamos aprender a contornar essas dificuldades e quase sempre à noite fazíamos um giro até à cidade.

        E o tempo foi passando, aprendemos a sobreviver comendo o que a natureza dava, éramos largados à noite em locais inóspitos e através das estrelas, de uma bússola e de um mapa lá tínhamos que chegar ao quartel. Saídas do quartel e correr por essa Nova Lisboa fora e as miúdas a olhar para aqueles rostos de crianças feitos homens.

        Tiros e mais tiros na carreira de tiro para aperfeiçoar a pontaria. Havia na minha companhia um companheiro que tinha um problema, levantava a perna e o braço do mesmo lado. Não sei como o conseguia mas certo é que tinha esse problema. Na carreira de tiro o alvo dele estava sempre sem buracos, o alvo do companheiro ao lado tinha mais buracos que o normal, quando no fim da recruta saiu a listagem dos aprovados lá estava o nome dele como aprovado para… «Básico». Muito ele chorou.

      portico
      No pórtico


        A 14 de Março a injecção "cavalar" que íria tentar nos colocar imunes contra todo o tipo de doenças. Todos em fila de "pirilau", vinha um enfermeiro colocava a agulha na omoplata e outro seringava o líquido. Alguns caíam desmaiados logo ali, outros, com essa injecção, acabaram por ficar doentes.

        15 de Abril de 1973 fim da recruta, dia do Juramento. Na parada, com tacos enfiados no chão a servirem de guia para a coreografia que iríamos fazer, o nosso pelotão cantou em plenos pulmões a canção que nos uniu durante aqueles três meses.

      HINO AO 3º PELOTÃO

      Cabelo ao vento,
      Vontade forte,
      Alegria de viver,
      3º grupo, vai a passar,
      “Água-Viva” a comandar.
      

      Já lá vamos, Para a sessão, Cabeça erguida, G3 na mão, Progredindo, sempre em corrida, A ti amigo, dá-mos a mão.

      Não desanimes, ó camarada, Pois a recruta, está acabada, 3º grupo, sempre a marchar, Muitas saudades, irá deixar.

      Canta comigo, esta canção, Ela é mensagem, de paz e amor, É a palavra, a oração, É o campo de trigo em flor.


      aspirante – Godinho (Água-Viva) furriel – Seguier cabo-milic. – Ribeiro
      Marius: PARABÉNS! É ESPECTACULAR o que escreves e eu revejo-me em toda a tua prosa. Passei pelo mesmo, pois fiz parte do CSM / 68, na EAMA - 3ª Companhia e recordo todos os momentos que descreves. Só que eu vivia em Nova Lisboa desde os meus 4 anos e meio e foram, talvez, mais fáceis os meus fins de semana, pois estava em casa. Tu não frequentaste a Piscina do Ferrovia. Não sabes o que perdeste e digo-o com conhecimento de causa, pois desde os meus 5 anos que a frequentava, onde aprendi a nadar, onde fiz natação de competição, passando posteriormente para o basquetebol de competição e a natação para descompressão e divertimento. A piscina do Ferrovia era espectacular. O Ferrovia era o meu clube, o clube dos ferroviários e não só. O meu pai era ferroviário, trabalhava nas oficinas gerais de CFB, em Nova Lisboa e vivíamos no Bairro do CFB, junto á referida piscina. É assim, boas recordações, que perduram. Vai contando mais coisas. Um abraço, Álvaro Pelicano - CSM / 68
      Álvaro Pelicano
    • RE: Nova Lisboa - E.A.M.A.

      Olá Álvaro Pelicano ....

      Foi muito bem capaz de nos termos cruzado nessa altura.
      Só me lembro de duas Companhias a CE e a BA, eu estive na CE.
      Durante esse tempo que estive na EAMA joguei Baskete no Sporting.
      Saí da EAMA c/ destino a Luanda frequentar o Curso de Transmissões de Engenharia
      Dei apoio de Transmissões a várias Operações no Norte. No Leste dei apoio na celebre Operação SIROCO, estavamos no Agrupamento nos arredores do Luso.

      Também os meus tempos de estudante foram passados em Nova Lisboa, pois estudei no ALEXANDRE HERCULANO (C.A.H.) de 59 a 65. Nessa altura lembro-me de ter um colega de nome PELICANO, serias tu ou alguém de familia ???

      Recordar é viver ....

      Um Abraço
      Monajamba
      (Castela Simões)
      Monajamba
    • RE: Nova Lisboa - E.A.M.A.

      Originalmente escrito por Monajamba
      Olá Álvaro Pelicano ....

      Foi muito bem capaz de nos termos cruzado nessa altura.
      Só me lembro de duas Companhias a CE e a BA, eu estive na CE.
      Durante esse tempo que estive na EAMA joguei Baskete no Sporting.
      Saí da EAMA c/ destino a Luanda frequentar o Curso de Transmissões de Engenharia
      Dei apoio de Transmissões a várias Operações no Norte. No Leste dei apoio na celebre Operação SIROCO, estavamos no Agrupamento nos arredores do Luso.

      Também os meus tempos de estudante foram passados em Nova Lisboa, pois estudei no ALEXANDRE HERCULANO (C.A.H.) de 59 a 65. Nessa altura lembro-me de ter um colega de nome PELICANO, serias tu ou alguém de familia ???

      Recordar é viver ....

      Um Abraço
      Monajamba
      (Castela Simões)


      Monajamba // Castela Simões:
      Se calhar tens razão... Já não me lembro bem se a 3ª Companhia era na EAMA ou se era no RI 21 - Nova Lisboa, aquando da minha "passagem" para o RI 21, em trânsito para o Leste de Angola como te dizia na minha mensagem anterior.
      Eu sempre joguei basquete no Ferrovia, em Nova Lisboa e posteriormente no Lobito Sports Clube, no Lobito. Será que nos defrontámos?
      E também estudei no Alexandre Herculano e penso que também na data que referes... Será que fomos colegas? Era engraçado se nos encontrássemos para esclarecer tudo... Poderias ir ao Encontro da Malta do Huambo, nas Caldas da Raínha e talvez nos encontrássemos, pois eu vou lá estar a 29.6.2008, um domingo. Não será fácil, verdade?
      No entanto, vamos trocando impressões por aqui, certo?
      Um abraço,
      Álvaro Pelicano
      Álvaro Pelicano
    • RE: Nova Lisboa - E.A.M.A.

      Ok, Álvaro

      Vou fazer os possíveis para estar presente nas Caldas no dia 29/6 ...
      Já lá estive há uns anos atrás, mas na altura só encontrei dois
      conhecidos dos tempos estudantis.
      Mais lá para perto da data direi ...

      Um Abraço
      Monajamba
      (Castela Simões)
      fsmukoko@portugalmail.pt
      fsdombolo@gmail.com
      Monajamba