Instrumentos musicais africanos

    • Instrumentos musicais africanos

      Aqui adicionamos instrumentos musicais africanos.
      Dou o mote:


      Xipanana - Trompa de chifre ou marfim dos Lundas
      Vandumbo - Trompa de madeira dos Ambuelas

      Mpungue - Trompa de marfim dos Congueses - outro nome: Mpungui
      Quipungue - mesmo que Mpungue - ou Kipungi

      Oluqui ou Olukwi - Palheta de latão usada como assobio pelos pastores do Sudoeste de Angola, os Nhanecas-Humbe


      Penso que estes termos estão correctos. No entanto aceitam-se argumentos neste fio.

      A brincar colocamos os nossos nomes no mapa mundial, que será proveito para alguém um dia...

      Author @ Amazon .... Tony de Araujo
    • RE: Instrumentos musicais africanos

      Estas definições foram retiradas do site Angola-África.

      Marimba- De influências culturais asiáticas, é um instrumento que se pode encontrar perto das quedas de Kalandula e também na região da Lunda.
      A marimba teria sido criada no século XVI por Kingwangwa, irmão do Ngola (título dinástico de quem exerce o poder) Kilwanji kya Samba, quando este era o rei de uma vasta região do atual território angolano, de Lunda à orla marítima da província de Luanda. O instrumento passou a ser tocado nas cerimônias oficiais do reino, conferindo-lhes mais solenidade e pompa.


      Kissanji - É um instrumento de som fluido, utilizado para fazer companhia em grandes caminhadas, ou como fundo musical quando um mais velho conta histórias, à volta da fogueira, ao luar.
      Sobre a tábua harmónica fixam-se as lâminas, que podem ser em bambu ou metal, presas a um cavalete. O instrumento é agarrado com as duas mãos e tocado com o polegar de cada uma. Alguns grandes tocadores chegam a utilizar os indicadores. Também é chamada Mbwetete, quando é feita à base de bambu.

      O Djembe é um instrumento de percussão africano cuja origem é algo polémica. Segundo se supõe, este instrumento surgiu na África Ocidental, na região Mandingue, Mali, Senegal, Guiné e Burkinafasso, embora não seja um dado adquirido, uma vez que se encontra igualmente difundido por muitas outras regiões de África.
      O Djembe é construído com uma pele única de animal - hoje normalmente de cabra, embora os originais fossem feitos a partir de pele de antílope. Alguns djembes industriais são feitos de fibra e com peles sintéticas, ganhando em termos de durabilidade e perdendo, naturalmente, em termos de riqueza de som.
      O Djembe, que também se pode escrever "Jembe", é construído a partir de um tronco de árvore que, segundo os artesãos mais experientes, tem de ser cortado pelo menos um ano antes de ser "esculpido".
      Normalmente é tocado de pé, com o instrumento preso ao corpo do executante
      renata peixoto
    • José Redinha escreveu:


      O Padre Felisberto Giorgetti falando da musica africana, de que é profundo conhecedor, diz que ela é indubitavelmente bela e em grande parte está ainda por descobrir. E comenta deste modo: "Apenas nestes últimos anos encontrei nela acordes insuspeitos, dignos de Bartok ou de Stravinsky"

      Em sua opinião continuam-se a exprimir e a escrever ideias erradas sobre a musica africana, admitindo-se, por exemplo, que a sua riqueza está mais na voz humana que no acompanhamento dos instrumentos, ideia que contesta, argumentando que os acordes fortes e agudos da voz, não se poderiam manter, sem o apoio dos tambores. Admite que, retirados os tambores dos cantos e das danças africanas, dado que eles, com seus acordes e ritmos cruzados, vivificam o conjunto, restariam apenas melodias fúnebres. Do mesmo modo, os cantos com xilofone, privados do instrumento, tornar-se-iam motivos infantis e banais.

      Estas opiniões, manifestadas a propósito da musica dos Azande [tribo da África central], são duma aplicação extensa, e interessam em parte apreciável a Angola no plano etnomusicológico, e no particular dos instrumentos referidos, largamente cultivados na Província [Angola].

      O julgamento da musica africana, não obstante a sua consagração crescente, é ainda motivo de discussão. A esse propósito, diz Giorgetti, que o erro de muitos ocidentais consiste em querer julgar a musica africana com ouvidos não africanos, e não compreenderem a riqueza das notas "subentendidas".

      Manifesta também a opinião, já hoje bastante aceite que, "em sensibilidade acústica elementar, os africanos superam os europeus".

      Recebendo na Lunda musicólogos Belgas com grande experiência africana, tivemos as nossas impressões repetidamente confirmadas e, por outro lado, enriquecidas com opiniões e dados técnicos muito significativos.

      No capitulo de valor musical de alguns mestres nativos, e do encontro dos tais "acordes insuspeitados", de que falou o padre Giorgetti, recordamos que um pintor Belga, Robert Verly, com grande formação musical, depois de ter ouvido no museu do Dundo um xilofonista quioco, observou-nos, com ar estupefacto e arrebatado, que ele lhe fizera lembrar Bach.
      Referencias: [p.28]
      Publicação: Instrumentos Musicais de Angola
      Autor: José Redinha
      1988 Centro de Estudos Africanos, Instituto de Antropologia da Universidade de Coimbra, Portugal.

      Author @ Amazon .... Tony de Araujo
    • José Redinha escreveu:

      [29]
      Os musicólogos iniciados na musica africana, insurgem-se contra a designação por vezes frequente , embora talvez literária de se tratar como selvagem a música dos "Negros", e, a esse respeito, foi ainda o Padre Giorgetti quem se exprimiu assim: "Selvagens são os cantos que os europeus imitam mal, e fazem passar por música africana, equivocando ritmo e tonalidade"


      Amigos, na minha idade já não tenho nada a perder em ser "socialmente incorrecto" e digo-vos do fundo do coração sem nenhuma presunção, não posso falar por mais ninguém do que por mim, mas isto já me rói o coração à mais de vinte e cinco anos: A musica a que chamamos angolana, interpretada pelos cantores mais consagrados da nossa terra, é, na sua maioria, um insulto à verdadeira musicologia dos nossos antepassados. Conseguiram criar um panorama de uma cultura que apenas relata os últimos 50 anos e que nada, absolutamente nada tem a ver com a musica milenária da área onde nasci. Para piorar a situação, a sua inferioridade pimpa não veio enriquecer a nossa cultura, pelo contrário, desvirtuou-a. Quem causou tal estrago? Penso que os produtores, as companhias de gravação, os artistas oportunistas e claro, nós, o povo com as nossas escolhas e preferências conscientes ou inconscientes.
      assino: tony araujo

      Author @ Amazon .... Tony de Araujo