Do Huambo para o mundo

    • Amigos Mazungueiros, boa tarde.


      De volta, dando sinal de vida, aqui estou de novo, deixando desde já o meu obrigado pelos votos de recuperação das mazelas que se têm abeirado de nós. Hoje tem sido a cervical a chatear-me.

      Feita a leitura das vossas mensagens, que nos trazem sempre algo de que tomo nota (aprende-se até velho, como confirma o dito), a atenção incidiu sobretudo em três coisas:

      O "Turricado" de que fala o Manecas. Deve ser mesmo de apetecer, considerando sobretudo a base do petisco, o pão caseiro. Produzido no centro e sul do País, esse pão é uma maravilha. Até velho é bom, mesmo que não seja caseiro. Cá por cima é só "molete", a que chamam papo seco para as bandas de lisboa, feito com farinhas brancas e fermentos artificiais. Só se pode comer no dia em que é fabricado, e faz mal.

      Mais um relato do Eliseu sobre a sua expedição. Centenas de km a somar a centenas de km. Uma verdadeira aventura aliada a grande paixão.
      Li o historial da estrada de ferro Madeira - Mamoré disponibilizado pelo link que o Eliseu indicou. Impressionante!
      Também as fotos do rio Madeira me trouxeram lembranças. Uma parece o Cuanza na zona do Dondo - Angola, e a que foi batida quando Eliseu aguardava «a vez de embarcar na balsa...» enviou-me para a passagem por uma qualquer pequena povoação no norte angolano: Nova Caipemba, Quibocolo, ou mesmo os termos de Ambriz ou Úcua.


      Até que enfim que cá cheguei de novo. Por que digo isto? É que já estou em linha desde as seis da tarde. E todo o texto anterior já estava escrito. Aconteceu que, sem ter dado conta, havia uma prova da capa de um livro, recebida antes (para aprovação ou não) através de um ficheiro que não me é familiar. Consegui ver o trabalho, respondi e "arrumei" o assunto. Só que a imagem, que ocupava todo o écran, ficou escondida sem que me apercebesse disso. Em resultado, ao puxar esta página para cima e para baixo, para rever o que aqui tinham deixado os Caríssimos Mazungueiros, a certa altura tudo encravou.
      Depois de várias tentativas, um pouco à sorte, pois não entendo muito disto, resolvi desligar, de modo forçado, o computador. Fui jantar, e sem pressa de o abrir de novo, ou talvez com medo de não dar conta do recado, voltei cerca de uma hora depois. Mas se antes não tinha resolvido nada, depois compliquei tudo ainda mais. Ligo, meto a palavra passe, mas o computador não abria. Em vez disso atirava-me com janelas de informação e perguntas. E eu, já a entrar em parafuso, tive de pedir ajuda ao meu filho que, pelo telefone lá me foi dizendo o que tinha de fazer. Finalmente abriu e foi aí que descobri a capa por arrumar.
      Felizmente que esta mensagem não se tinha perdido. Voltei ao início e ela lá estava à espera.
      E vai seguir agora. Espero que parta sem problemas.


      Para todos um bom domingo e óptima semana.
      Sérgio O. Sá






    • M.M. 19 Maio, às 08.10


      Caros Amigos, Bom dia !!

      O porquê ainda não descobri, mas o certo, é que somente, durante a manhã consigo entrar na net móvel, e assim ficar condicionado à sua utilização ! A estadia prolongou-se, pois o trabalho aumentou inesperadamente e ... serviço é serviço !! Espero que hoje volte à normalidade, permitindo o meu regresso ao V.P. . A ver vamos !!!


      Amigo Eliseu !
      Parabéns pela bela e completa reportagem com que nos estás presenteando !! Impressionou-me sobremaneira, a quilometragem que percorreste, e muito em particular, as fotos que demonstram o que é uma desflorestação, ou desmatização, total ! Olhar para aquele enorme "deserto" e tentar imaginar o que seria antes da intervenção humana! Por enquanto ainda pudeste comparar. Na devida escala, por cá tem sucedido o mesmo, seja originado pelos incêndios,(quase todos criminosos), seja pelo inadequado planeamento urbanístico, ou agrícola! A continuarmos assim, os nossos trinetos, ou mesmo antes, em vez de se deslocarem de motos ou jipes, terão que fazê-lo de ... camelo !!!
      Também as ferrovias, com tanto saber e sacrifício, criadas pelas gerações dos nossos avós, têm sido abandonadas e dado lugar à deslocação rodoviária, porém, estão renascendo e em muitos casos, até fazendo concorrência ao transporte aéreo.

      O sol já vai alto e ... tenho que me fazer à estrada, caso contrário não dou conta do recado. Continua com os teus relatos, que estou arquivando em arquivo próprio. Continuação de eficiente recuperação física .


      Continuarei a tentar conseguir o contacto em horas mais tardias. Um abraço para todos vós, Manecas
      - Laripó, ou mungué, amigos meus !!!
    • 4ª Parte – Expedição Extremos – BR 230
      Bem meus amigos, seguindo o relato, neste dia o rumo seria Epitaciolândia, na tríplice fronteira com Bolívia e Peru, sendo Gobija a cidade vizinha, porém já do outro lado, na Bolívia, e final em Rio Branco, capital do Estado do Acre. Seriam 911 km, de estrada asfaltada com trechos bons, alternados com ruins e outros ainda, inexistentes. Como sempre, a partida se deu pelas 06:30 horas, após um café da manhã reforçado. Já neste dia, apesar de cedo, iniciou quente, com as roupas de viagem causando um certo desconforto. Região muito bonita, de criação e gado, na sua maioria, sendo que no começo, por uns 200 km talvez, o que sobrou da Ferrovia Madeira Mamoré nos acompanhava ao lado sul da rodovia.
      Ponte da antiga ferrovia e draga de garimpeiro....

      Interessante se observar, sempre que possível, a imensa dificuldade que deve ter sido construir esta ferrovia a 100 anos atrás, numa região de densa selva tropical, onde muitas mortes se contabilizaram. Desde doenças, a maioria de paludismo, a ataques de índios, passando por acidentes, ela se desenvolveu da beira do Rio Madeira até as margens do Rio Mamoré. O ponto inicial originou a cidade de Porto Velho, enquanto a final originou a cidade de Guajará Mirim. Sabe-se que nela trabalharam aproximadamente 45.000 pessoas, em todo o período, dos quais 1.580 vieram a óbito, conforme registro do Hospital da Candelária, especialmente lá instalado pela empresa construtora. Contudo, existe a versão de que estas foram os falecimentos que ocorreram no hospital, e comenta-se que o totla pode passar dos 6.000. Como a maioria eram de origem asiática (chineses, coreanos, japoneses), indiana e africana, jamais se saberá a verdade. Deixo-vos um link sobre o assunto: docs.google.com/document/d/1ie…JsJZgqubA-Ffts8pOM2w/edit

      Nesta foto podemos observar os aterros que ainda restaram da ferrovia, desativada em 1972, após apenas 50 anos de operação.....

      Neste trecho pude aumentar um pouco a velocidade, chegando em alguns trechos aos 180 km/h, pois é uma região completamente plana, bem diversa das demais regiões amazônicas. E totalmente desmatada ao longo da rodovia, até onde a vista alcança. Depois, deixa-se de ver a ferrovia, sendo que em alguns pontos, nos igarapés, como são denominados localmente os riachos e pequenos rios, garimpeiros e algumas dragas de ouro. Também houve que atentar para os abastecimentos da moto, pois ali há trechos de até 210 km sem nenhuma cidadela, aldeia ou vila, e portanto, sem postos de abastecimento. Poucos transeuntes, muitos caminhões, e também gado bovino em razoável quantidade ao longo da rodovia. Após aproximadamente 100 km atravessa-se o Rio Madeira, por balsa. Bem ao lado, está sendo construída uma ponte, com considerável altura, já prevendo uma futura navegação fluvial.



      Aguardando a vez de embarcar na balsa.....




      Também é ali que se cruza mais um fuso horário (o segundo da viagem...), descontando mais uma hora em relação ao horário de Santa Maria. O almoço foi em um pequeno restaurante de um posto de combustível e serviços, no meio do nada.... Antes de entrar na cidade de Rio Branco, toma-se outra rodovia, e mais 180 km à frente, estamos na fronteira com a Bolívia. Uma rápida visita aos free shops de Gobija, e nada me agrada. Incluindo-se aí o povo, e os policiais daquele país. Abasteço e tomo o rumo de Rio Branco, onde chego pelas 21:00 horas, ao Hotel de Transito do 4º BIS. Contudo, na saída da cidade de Epitaciolandia, percebo que o cabo de embreagem está se rompendo, estando apenas por alguns fios. Tenho-o comigo, mas devido ao calor emanado pelo motor, e pela moto como um todo, teria que permanecer com a moto parada por, pelo menos, 4 horas, para poder proceder a troca. Arrisco, e sigo rumo Rio Branco. E assim, chego ao destino final, receoso, mas ciente de que deveria proceder à troca na manhã seguinte. No Hotel, uma ducha relaxante e preparo o meu mate, que sorvo enquanto converso com o Cabo de serviço na portaria. Nesta cidade, e quartel, o meu irmão Elias, 1º Sargento do Exército, passou 4 anos. Contudo, o Cabo é de incorporação posterior à passagem do meu irmão por lá, e não o conheceu. Também me informo sobre algum restaurante ou lanchonete em área próxima, e ouço que só a uma certa distância, e que não recomenda que eu me desloque à pé na área. Como a moto está indisponível, contento-me em comer um chocolate e uma Coca Cola, que estavam disponível para aquisição no Hotel. Dia seguinte, alvorada as 05:00 horas, e às 05:45 o cabo de embreagem estava trocado e a bagagem embarcada, bem atada. No café da manhã, a presença de uma equipe de agrimensores e engenheiros civis de Manaus, meus conhecidos de aquando lá servi, e que estavam em medições nas áreas militares para futuras obras. Um bom papo, e a partida foi atrasada. A tocada foi rápida, e às 14:30 horas estava de volta ao Hotel de Trânsito do 5º Batalhão de Engenharia de Construção, em Porto velho. O almoço foi um abacaxi e caldo de cana (suco) em um ponto de venda em região grande produtora destes produtos. À propósito, nesta região há grandes lavouras de cana de açúcar e usinas, para a produção do álcool combustível. Mas estas fazendas são poucas, comparadas às criações de gado. Como estava previsto, larguei a bagagem no Hotel, e rumei à Autorizada Honda, para proceder a troca de óleo do motor. Feito o serviço, jantar, e rumo ao mundo dos lençóis. O dia seguinte amanheceu com muita chuva, e que me acompanhou no percurso até Humaitá, onde se iniciaria o trecho de 4.200 km da Rodovia Transamazônica – BR 230, e seus aproximadamente 2.000 km sem pavimento. Na saída da cidade de Porto velho houve que atravessar o Rio Madeira, e depois começaram as imensas pastagens de gado, e com a floresta muito ao longe.

      Aqui já se pode começar a observar a selva nas proximidades da rodovia....

      Chegando na cidade de Humaitá, no estado do Amazonas, pelas 11:00 horas, fui direto verificar os horários da balsa para cruzar o Rio Madeira, novamente, e soube que era a cada 2 horas, nas horas pares ida e ímpares, retorno. E ali vi do outro lado do rio a tão esperada selva amazônica, sendo o local de desembarque apenas uma pequena faixa de terra que adentrava a mata. Retornei à cidade, abasteci a motocicleta e adquiri 2 garrafas de água mineral e algumas bolachas e latas de sardinhas, para alguma eventualidade de não conseguir chegar até a noite em algum local civilizado. Assim, estava pronto para a segunda parte da expedição. Mas isso é para a próxima parte.....

      À beira do Rio Madeira, novamente....



      Até a próxima, já na travessia da selva!
      Abraços fraternais! Eliseu
    • M.M. 18 Maio às 12.15


      Caros Amigos


      Um rápido sinal de vida !! Desde ontem fora da base do VP. Terminado o serviço paragem aqui em MM e ... só há minutos é que consegui ligar-me à net móvel !!
      Tenho que sair de imediato, mas se se mantiver a ligação, voltarei ao contacto ao fim da tarde !
      Uma tarde agradável pata todos vós, Manecas
      - Laripó, ou mungué, amigos meus !!!
    • Olá Manecas ! gosto do torricato! comi pela primeira vez na Azambuja!!
      as espetadas de frango são ótimas!!
      As temperaturas estão altas! há que regar!!!
      Por hora tenho o Fred! está descansando pois aqui também aperta o calor!
      Temos planos para o fim de semana esperamos ir arejar visitando família para os lados da Covilhã! espero que se concretize!
      Bons trabalhos e descanso também!!!
      A todos os mazungueiros uma tarde boa!