Do Huambo para o mundo

    • Novo

      Salve, salve meus amigos.


      Apenas uma passada para ler as vossas mensagens e dar um alô de sobrevivente.
      Os dias se passam rápido aqui, onde o principal é cuidar da alimentação. Não que essa seja insuficiente. Bem ao contrário.... Controle para não sair com sobrepeso daqui. Alimentação farta e variada, cabendo a cada um montar o seu prato, ou dieta, ao seu sabor, ou dever.
      As atividades espirituais se sucedem, e da mesma forma, decido de qual participo, ou não, e aproveito meu tempo para colocar (muita) leitura em dia.


      Manuela,
      creio que este texto diz muito sobre nós, os mais velhos. O que a juventude de hoje terá para dizer daqui a 50 anos, ou mais, não faço idéia.....
      Realmente, importante rever velhos amigos, e cultivar está amizade.


      Manecas,
      ainda bem que o afirmasse, pois eu não acreditaria que a cor daquele carneiro, ou ovelha como o denominamos também aqui no sul, seja natural. Claro que a cor preta do focinho e patas sim....
      Creio que no próximo mês também se completam 7 anos que estivemos juntos, no Vale da Pedra, e outros locais mais. Não esqueço nenhum detalhe deste passeio, nenhum momento, e recordo bem dos diversos assuntos, muitos em comum, de que tratamos. Bem como da culinária, dos tintóis e brancóis.....
      Espero que o encontro familiar de hoje tenha sido de bom proveito.
      Desejo que o encontro de amanhã também seja profícuo e animado!


      Lino
      realmente um paraíso, do qual me fizestes participar, conhecer e sentir o gostinho. Senti este espetáculo, embora em outra temperatura, mas a sensação foi a mesma!


      Um bom final de semana para todos!

      '
      Abraços fraternais! Eliseu
    • Novo

      Despertar no paraíso!!! assim chamaria á tua imagem, Lino !
      Eliseu como gostei desta carta e muito verdadeira!
      Manecas! temos de aproveitar a companhia de pessoas que nos estimam! porque são um pouco raras!
      a amizade ajuda-nos a levar a vida com doçura!
      belos exemplares que nos mostraste em exposição nessa feira! de calor nem falo!!! pois aí estás muito mais castigado! maneira de falar! tanto trabalho para quem tem as suas hortas! deste calor gosto mesmo é á beira mar!
      A todos um bom fim de semana!
    • Novo

      Despertar...





      No paraíso. Às 07h21 desta sexta-feira, 16/06/17, sob agradáveis 16ºC momentâneos e num céu encoberto por nuvens. Se fazem oposição ao Sol, ao menos não se recusaram a refletirem sua luz, antes de ele desaparecer por detrás delas.
      Aos amigos desta página jaguarense, com ou sem Sol, desejo uma excelente sexta-feira e um melhor fim de semana, vivam onde viverem, acompanhados ou solitos nomás, tanto faz. Mas, numa e noutra situação, juntos com a melhor das companhias, uma consciência tranquila.

      Salvem amigos Manuela, Eliseu e Manecas, agradeço a parte que me toca e, desde a lagoa deserta, envio um grato e fraternal abraço a esses bravos guerreiros do Mazungue.
      Lino
    • Novo

      V.P. 16 Junho às 00.38

      Caros Amigos, Lino, Eliseu, Manuela

      Salvé !! Cheguei às minhas horas normais, +- 22.00, porém, logo surgiu impedimento, do qual só agora me livrei. Dia feriado já passado, com muito calor, sem visitas e ... sem descanso, pois uma canalização de esgoto de água, resolveu entupir, e proporcionar-me longas e cansativas horas, de busca e resolução do problema ! Mas, já está e só esperar por nova diversão !
      Por diversão, propriamente dita, vamos ter dentro de horas, com a chegada de familiares da Teresa, os primos de Ossela, vizinhos dos nossos comuns amigos Lucilia e Felipe, residentes em Oliveira de Azeméis. Sábado, mais uma vez, estaremos em Valada, para reencontro com a malta da "Terra Nova" -Luanda.

      Lino e Manuela
      Faço minhas, as vossas palavras sempre que se referem a mim e Teresa ! Acreditem que o nosso sentimento é recíproco.

      Eliseu
      Que tudo te corra bem em mais esta deslocação, com boa saúde, companhias e ... sem os desagradáveis imprevistos mecânicos-rodoviários !
      Tens razão quando avalias aquele "boizão" em termos culinários, mas vendo-os assim de perto e vivos fico com um nó na garganta ao imaginar o seu destino, após a época de reprodutor. No pavilhão dos Ovinos e Caprinos encontrei também uns belos e diversos exemplares.


      Amigos, eis dois deles

      Estas ovelhas não foram pintadas para se exibirem na Feira, é mesmo a sua cor natural !



      E estas cabras, da nossa provincia do Algave, como é que elas terão arranjado um par de chifres tipo saca-rolhas ?




      Carissimos Amigos, aqui estarei, tão cedo quanto me fôr possível.
      Um abração Manecas




      - Laripó, ou mungué, amigos meus !!!
    • Quero vos deixar uma escrita, que recebi numa mensagem.
      E que retrata muito bem o nosso passado e o presente.

      O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO*

      Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho, porque a família toda iria visitar algum conhecido.

      Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
      Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita.

      Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
      – Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
      E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
      – Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!

      A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora.

      A nossa também era assim.
      Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
      – Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

      Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
      Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.

      Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

      Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida.

      Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

      O tempo passou e me formei em solidão.
      Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, internet, e-mail, Whatsapp ... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
      – Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

      Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
      Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

      Que saudade do compadre e da comadre!...

      Créditos: José Antônio Oliveira de Resende
      Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

      '
      Abraços fraternais! Eliseu