Do Huambo para o mundo

    • A queda de Mugabe...

      Quando ouvi falar dele, nos anos setenta, ou logo após a independência da então Rodésia do Sul, considerei-o o homem certo para aquele momento. De origem humilde, o seu pai abandonou a família quando ele tinha dez anos, daí em frente, transformou-se em um aluno e estudante exemplar, apoiado por professores missionários. Tornou-se professor para sustentar a família e, aos vinte e cinco anos, ganhou uma bolsa para estudar na Universidade de Fort Hare, na África do Sul. Ali conheceu Sarah Francesca Heyfron, com quem se casaria e de quem enviuvaria em 1992, após uma longeva união de mais de trinta anos.
      Uniu-se ao “Exército de Libertação Nacional do Zimbáube” e tornou-se o líder da libertação nacional. Alçado à condição de primeiro-ministro de um governo provisório, com a participação do antigo primeiro-ministro Ian Smith, modificou o nome do país para Rodésia, ou Rhodesia. Liberto do jugo colonial, eclodiu a violenta guerra civil entre as duas organizações nacionalistas rivais (a ZANU, de Robert Mugabe e a ZAPU, de Joshua Nkomo), ocasionando cerca de 20.000 mortos. Finalmente, com os ânimos serenados, a independência da nação foi considerada legítima pela Inglaterra e pelas Nações Unidas, em abril de 1980, simultaneamente, foi renomeada República do Zimbabwe.
      Logo após a independência, o Zimbábue era um exemplo de país pós-colonial da África e, na época, apelidado de o “celeiro da África” e o seu sistema público de educação levou o país a ter um dos mais elevados níveis de alfabetização do continente. Porém, o senhor Mugabe (como incontáveis de outros dirigentes nacionais) adorou o posto e sacrificou a economia do país para se manter no poder. Naturalmente, dizimou a oposição, prendendo-os e sumindo com eles, misteriosamente. A sua moeda, o Dólar Zimbábuano, foi tão desvalorizado, que hoje o país sequer tem a sua própria moeda. A sua inflação é a segunda maior do planeta, perdendo apenas para a da Venezuela. E o antes autossuficiente em alimentação, hoje a sua população sofre com a escassez alimentar. Nada demovia o déspota esclarecido a abandonar o trono, a ponto de afirmar: “Somente Deus, que me elegeu, pode me tirar daqui”
      Reelegendo-se sucessivamente, em pleitos pra lá de suspeitos, em 1996 resolveu se casar com a sua bela secretária Grace, de 31 anos; ele estava com 72. Considerada uma senhora prepotente e autoritária, foi apelidada de “Gucci Grace”, por só usar roupas de grifes. Neste novembro, o ditador-ancião, de 93 anos de idade e quase quarenta de poder, deu um passo em falso, quando resolveu nomear sua jovem esposa a sua sucessora, como se a presidência fosse um cargo hereditário (como o é na Coréia do Norte) e caiu, ou foi apeado do trono.
      Por anos, os comícios protagonizados por Mugabe lotaram estádios. Ele costumava falar por horas para um público atento às suas palavras. Agora, não houve ninguém para defendê-lo e as ruas de Harare estão silenciosas e, pela primeira vez em quase quatro décadas, ninguém grita o seu nome.
      Até onde sei, o vice-presidente, bem-relacionado no meio militar, passou-lhe a rasteira. Espero que não tenha o mesmo apego ao cargo do velho Mugabe e o Zimbábue volte a ser o celeiro da África.
      Divagações na calma noite jaguarense.

      Salve, salve Eliseu e Manecas amigos, e obrigado pela recepção ao desaparecido.
      Lino
    • Alô Eliseu !!
      Só uma observação, sobre o chocrute !!!
      Para compensar o cheiro ... ataquei nestas pequenas canequinhas ! Foto de 1991 em viagem profissional a Munique, mas no momento da foto, em pleno "Festival da Cerveja em Outubro", na foto, só apareço parcialmente à esquerda, de óculos!!


      - Laripó, ou mungué, amigos meus !!!
    • Alô Eliseu !!!

      Eu a dar-te ervilhas e tu a presentear-me com essa linda e saborosa ementa alemã !!

      Obs: Só não consigo suportar esse tal do "chocrute" !! Quando há uns anos estive na Alemanha, restaurante onde entrasse, era o cheiro que me arrepiava !!
      Mas como dizes que o teu "era a imitar", OK ! Que maravilha !!!!!!!!!!!!!
      - Laripó, ou mungué, amigos meus !!!