Minhas crónicas

    • Caro Luís Martins Soares,

      Como já tinha lido algumas das suas crónicas, o seu post sobre plágio chamou-me a atenção e fui espreitar, por curiosidade, o tal blog.

      Para minha grande surpresa, encontrei lá, num post datado de 19/6/12 e intitulado "Falta de alimentos", algo que eu própria escrevi, e postei, no Museke (fio dos Mambos) e no meu blog "flor de maracujá". Como disse antes, fiquei surpreendida e devo também confessar que achei muito divertido alguém ter achado um post meu digno de ser "repostado" ou copiado! ^^
      No caso do meu post, o autor do blog não tentou passar o artigo com se fosse dele - não podia, já que ele saíu de Angola antes da Dipanda e todas as minhas histórias, ou Mambos, aconteceram na Angola independente! Mas o autor tampouco me deu crédito pelo artigo - nem sequer uma florzinha de maracujá ele deixou lá! ;)

      Claro que não concordo com o facto de se copiarem textos sem dar crédito a quem os escreveu - eu própria, já republiquei textos mas menciono sempre a origem e o autor. Contudo, suponho que quando decidimos deixar textos nossos online arriscamo-nos a que sejam copiados e se isso nos incomoda, é melhor que não os publiquemos.

      Um dia feliz para si e não deixe de escrever.
      flor

      PS: Esqueci-me de mencionar que no meu texto, ele também mudou alguns detalhes, como nomes de pessoas e locais e as partes do texto em que eu falei na primeira pessoa foram mudadas para "" garinas".
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    • Denuncia De Plágio

      Estive a ler algumas das publicações no mencionado blog e reparei realmente muitos textos que tinham sido publicados noutros sítios incluindo o Mazungue, alguns publicados aqui por mim.

      Não é a primeira vez que isto acontece nem será a ultima. Também não me parece que quem republicou tenha-se tentado passar como autor de tais trabalhos se bem que não mencionando referencias passa como sendo o próprio autor aos olhos de quem lê. É uma tendencia muito comum a de se ir republicando trabalhos que vamos lendo na net e que achamos interessantes para preencherem os nossos blogs. Infelizmente também é bastante comum não dar o devido credito ao autor original ou porque nem se pensa no assunto ou porque se julga que mencionando o autor original ou o sitio onde originalmente foi publicado a republicação esta perde valor diminuindo a categoria do blog em questão.

      Devemos ter o cuidado de dar credito a quem o merece e deixar referencias de algo que publicamos se o conteúdo foi originalmente escrito por outrem.

      E no que diz respeito a cronicas pessoais, com é este o caso, não devemos republicar sem a devida autorização do autor original.

      É uma questão de ética já que as leis não estão avançadas o suficiente para proteger autores não comerciais.

      Fico triste pelo acontecimento pois sei que deve estar bastante incomodado com esta ação do criador do tal blog.

      Abraço
      tony araujo

      Author @ Amazon ....
    • Denuncia De Plágio

      DENÚNCIA de PLÁGIO:

      Plágio significa apropriar-se indevidamente de uma obra, seja por meio de cópia, imitação, assinatura ou por apresentá-la como se fosse de sua autoria.

      Tenho colaborado com crônicas de temas diversos em Sanzalangola, Mazungue e recentemente no Facebbok em páginas relacionadas com a cidade de Luanda, Bairro da Maianga e Escola Industrial de Luanda.
      Fui pego de surpresa quando acessando o “Google” vi muita matéria por mim escrita vivenciando passagens da minha vida como estudante da Escola Industrial de Luanda no ano de 1949 a 1952 e muitas outras de temas variados. Se quiserem acessar no “Google” : Luanda Tropical Prostituição no blog do sr. Zé Antunes (joseagoncalves.blogs pot.com/2012/05/prostituicao_18.html) poderão ler alguns temas escritos por mim, alguns copiados integralmente e noutros os nomes dos personagens reais foram deliberadamente trocados como forma de camuflar a cópia. Tudo postado como autoria de Zé Antunes cidadão residente em Lisboa.
      Assim quando conto a passagem do mergulho nas águas da Baía, junto ao antigo cais de embarque, do António Mário Carneiro mais conhecido por “Parede” devido a sua estatura ele trocou o nome por António Fernandes apelido “Poste” e por aí adiante mantendo em alguns casos os nomes inalterados. Tenham cuidado com esse senhor que talvez tenha já postado matéria vossa como de autoria dele.
      Relaciono os temas postados, alguns com o mesmo título colocado por mim:
      - Colegas de Escola (refere-se à Escola Industrial de Luanda)
      - Bailes de antigamente em Luanda
      - Mocidade Portuguesa
      - Gambuzinos
      - Trequelibeique (Termo inventado na oficina mecânica no momento da brincadeira)
      - A primeira vez ( Meu primeiro relacionamento)
      - Prostituição
      - Recordando
      - Descolonização

      Chamo a vossa atenção para este caso praticado por pessoa desqualificada, impostora e imoral onde pela sua atitude posso transformar-me por quem não me conhece, de vítima em vilão.
    • A Odisseia De Um Minhoto "maianguense"

      Após um longo silêncio motivado por ter viajado para Portugal motivado pelo falecimento da minha irmã mais velha e por problemas de visão na vista direita que me forçou a fazer um tratamento sem resultados positivos, embora tenha contribuído com alguns escritos no Facebook, retomo com entusiasmo a participar no Mazungue com as minhas crônicas que submetidas à apreciação do meu irmão não foram aprovadas. Antes de dar continuidade ao tema de Descolonização quero com a publicação abaixo prestar homenagem ao meu pai falecido em Luanda no ano de 1965 e que contribuiu também um pouco, como muito de nós sem olharmos para a cor da pele, para que Angola se tivesse transformado naquela maravilhosa terra de muitos contrastes.

      A ODISSEIA DE UM MINHOTO “MAIANGUENSE”

      Tenho feito algumas referências às figuras dos meus pais que parte da existência deles foi vivida no Bairro da Maianga. Meu pai nasceu em 1905 num lugar chamado de Águas Santas pertencente ao Concelho de Póvoa de Lanhoso e Distrito de Braga, portanto região do Alto MInho. Foi criado no meio rural, pois seus pais eram lavradores. A vida no meio rural era desenvolvida à custa de muito trabalho e sacrifícios sendo os lavradores colocados num patamar baixo da sociedade. A classe camponesa vivia no limiar da subsistência, o ambiente onde ele nasceu era o mesmo com pequenas diferenças de outras da região do Minho que não evoluiram muito até 1969.
      A casa construída com blocos de granito de grande espessura, de paredes assentadas horizontalmente seguia um padrão de construção usado naquela região: A cozinha situada no piso inferior era revestida com lages de granito, num lado da dependência existia uma lareira com um fumeiro ambientes enegrecidos com a fuligem da queima da madeira. A água de consumo era armazenada em cântaros que foram abastecidos na nascente e cheios com água cristalina estavam dispostos num canto com panos tapando as bocas principalmente por causa das moscas que às dezenas incomodavam todo o mundo. A louça era guardada em armários rústicos assim como outros utensílios de cozinha. Uma comprida mesa com tampo de madeira de grande espessura tinha espaço suficiente para acomodar a família e os jornaleiros e bancos compridos serviam de assento. Num canto da cozinha uma arca de madeira guardava alguns mantimentos que eram consumidos durante o ano. Perto, e noutro lado da parede havia o curral que abrigava o gado composto de um touro e vacas. O touro era o animal que somente tinha a função de “cobrir” as vacas não só da propriedade como de outras propriedades vizinhas ou não. A exemplo dos humanos os animais têm os seus limites e quando a vaca tinha que ser parida ela era presa por uma corda de modo a não ter condições de abandonar o recinto. O touro solto sentindo o cheiro da fêmea ficava agitado e então cumpria as obrigações de macho ajudado pelo dono. Mas para haver a certeza de que a vaca ia engravidar a operação de “cobrição” era repetida várias vezes intercalada com poções de uma bebida que o touro tinha que tragar. Após o pagamento ao proprietário do garanhão, conforme estipulado, este era recolhido ao curral. As vacas tinham a função de produzir leite para o consumo da casa e formando junta (duas vacas a par) puxando o arado (charrua), arados ou o carro. Conforme as necessidades poderia ser aumentado o número de juntas. Uma peça de madeira chamada canga montada sobre o cachaço dos animais servia para juntar os dois animais Nos trabalhos agrícolas o carro de bois tem a função transportar o feno, o estrume, etc.. Normalmente o mais jovem da família era escalado para guiar as vacas. No pavimento superior, o piso feito com tábuas apoiadas em vigas de madeira, comportavam os quartos e o W.C. se porventura podemos chamar essa dependência da casa. Os colchões eram cheios com a palha das espigas de milho com alguns carolos misturados que incomodavam os usuários. Luz elétrica era um privilegio desconhecido pela maioria da população rural. Nas casas onde os meus tios residiam, e que conheci a casa de banho era desconhecida, as necessidades fisiológicas eram feitas num cubículo onde uma caixa que servia de assento e com abertura circular era a via de escoamento dos dejetos que projetados para o nível inferior do piso caíam no curral do gado e misturado com os dejetos dos animais e com o feno depois de curtido servia de adubo. Nessa época já era conhecida o principio da conservação da matéria enunciada por Antoine Lavoisier que “na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Neste ambiente ele foi criado, mas ainda conseguiu estudar e terminar o 4° ano primário façanha rara naquele meio, pois todo o elemento da casa deveria por necessidades ser aproveitado como força de trabalho. Ele tinha mais dois irmãos e duas irmãs. O dia a dia no campo era o mesmo que muitos de nós conhecemos, vida dura sem perspectivas de melhorias.
      Em 1910 a maioria da população era iletrada, a taxa de analfabetismo em Portugal, das mais elevadas da Europa estava no patamar de 75% até que ele não suportando mais aquele ambiente, mas com mil sonhos em mente resolveu fugir de casa aos 14 anos indo ao encontro de um tio seu que tinha uma venda em Lisboa. Recebido pelo tio começou trabalhando para o mesmo atendendo a freguesia e num cantinho da loja fez dele o dormitório. Naquela época haviam muitos galegos em Lisboa que alguns se dedicavam a vender água de porta em porta. Convocado para o serviço militar serviu na arma de cavalaria e naturalmente além dos exercícios comuns em qualquer estabelecimento militar também quando em serviço às cavalarias dar o feno aos animais e manter o piso limpo sem os dejetos. Ele contava rindo que se munia de uma pá e quando notava que o animal ia defecar corria pegando na pá aparando os dejetos. Nesse período Portugal atravessava um clima caótico de instabilidade política, econômica, financeira e social. No quartel muitas vezes estavam de prevenção para o caso de terem que intervir devido a algum golpe militar. Cansado viu oportunidade de viver outra vida quando surgiu um convite vindo do exercito que fez um convite a todos os soldados de cavalaria que quisessem ir como voluntários por quatro anos para África, que seriam promovidos ao posto imediato e passado um ano de comissão seriam outra vez promovidos e no regresso seriam todos promovidos mais uma vez.

      Foi tudo puro engodo, tretas pois o pai só foi promovido a cabo de primeira classe quando chegou a Angola, e só foi ele e os que tinham alguns estudos. Nunca mais houve promoções durante o tempo todo de comissão. para escoltar uma leva de condenados a degredo, chamados degredados. A maioria dos degredados eram criminosos comuns, embora muitos fossem presos políticos ou religiosos. O embarque para África era bastante temido pelos criminosos que eram encerrados nos porões em companhia de outros tão bons ou piores que eles. Tinham que lidar com a superlotação, falta de salubridade e alimentação da pior espécie. Embarcaram para África num navio da CNN,não sei o nome; o navio era bastante velho e as caldeiras eram alimentadas a carvão (hulha), a viagem demorou mais ou menos 3 meses porque tinham que abastecer com água e carvão em todos os portos (Madeira, Cabo Verde, Guiné, São Tomé e por fim Luanda. Alguns desses ficaram em Cabo Verde e outros na Guiné.
      Durante a viagem tormentosa notaram um clima tenso entre os degredados que passados dias se manifestaram com um motim. Os militares em reunião rápida com o Comandante do navio chegaram à conclusão que o único meio disponível e eficaz deveria se tentar uma negociação que foi feita mas não surtiu o efeito desejado havendo necessidade de ser empregue a força das armas para os acalmar. Houve algumas baixas entre os amotinados prosseguindo a viagem até fundearem na Baía de Luanda. Estes condenados ficavam todos na Fortaleza de Luanda, mais muitos em regime aberto, trabalhavam fora e a noite recolhiam a fortaleza, os que tinham crimes graves é que ficavam nas celas e quando trabalhavam no exterior eram sempre acorrentados e com guardas armados. Mais tarde o pai foi levar uma leva de presos para o Forte do Roçadas(só os mais perigosos é que cumpriam pena no Roçadas) embarcaram num navio de cabotagem para Moçamedes e mais tarde seguiram para o Lubango(Sá da Bandeira).Chegados ao Lubango, o pai esteve vários meses e espera de se organizar uma caravana para o Roçadas.Com a caravana organizada, o pai ficou como responsável por ser o militar mais graduado. Não sei quantos soldados seguiam nem quantos presos. O pai ia a cavalo assim como os demais soldados brancos. Os soldados indígenas (as chamadas tropas auxiliares), seguiam a pé assim como os degredados, estes acorrentados.O pai dizia que os soldados brancos iam armados com uma carabina e um sabre, e os soldados indígenas iam todos somente armados de carabinas.
      Os mantimentos para a viagem e para o Forte eram transportados num carro bóer puxado por bois.O maior problema da viagem foram os animais selvagens e em especial os leões que eram muito abundantes naquela época, ele dizia que várias vezes o acampamento ficava cercado por leões e que tinham que manter as fogueiras acesas toda a noite e que mesmo assim ,chegaram a perder vários cavalos e bois. Os cavalos como não estavam acostumados ao cheiro e aos bramir dos leões entravam em pânico e se rebentassem as cordas que os prendiam fugiam do cercado caindo nas garras dos leões.
      Num determinado trajeto da viagem depararam-se com as ossadas dispersas de um cavalo junto a uma árvore e nesta em um tronco da ramada os restos da ossada de um humano amarrado chegando à conclusão que deveria ter sido de um indivíduo montado e que acuado pelos mabecos abandonou o cavalo refugiando-se na ramada da árvore. Os mabecos abateram e devoraram o cavalo mas após o banquete ficaram de vigília junto a árvore com o intuito de caçarem a presa humana o que não teria acontecido porque a pessoa no sentido de se salvar optou por se amarrar à ramada mas acabou por sucumbir por falta de água e alimento.
      Com a proximidade das terras dos Gambos, a todos os presos foram retiradas as correntes menos a um, que era um assassino com várias mortes no cadastro, não só em Portugal mas também já no degredo..O pai tinha recebido ordem nesse sentido de vigilância sobre este individuo, mas como já estavam muito longe de qualquer povoação, não havia o perigo dos presos fugirem, pois nenhum deles queria cair nas garras dos leões ou dos mabecos (cães selvagens muito abundantes naquelas paragens),e alem disso, os nativos não tratavam os presos com muito carinho e recebiam um prémio pelos presos recapturados e entregues no Forte Roçadas. Entretanto chegaram a margem do rio Cunene já ao escurecer acamparam ali porque a jangada que fazia a travessia do rio para o forte não podia ser utilizada à noite.. Diz o pai que acamparam e quando estavam a preparar-se para jantar ,o tal prisioneiro criminoso pediu ao pai que lhe fossem tiradas as correntes, uma vez que já estavam no final da viagem, depois de muito pedir, o pai deu ordem para lhas tirarem . Estavam começando a comer, quando o preso num salto, correu para o rio e mergulhou nas águas mas nunca mais foi visto pois o rio Cunene era infestado de crocodilos.
      Pela fuga do prisioneiro, o pai foi castigado e seguiu logo em patrulha para a fronteira com a Sudoeste Africano (actual Namíbia). As patrulhas saíam do Forte Roçadas e tinham que patrulhar a fronteira e ao mesmo tempo fiscalizavam os vários “quimbos” dos cuanhamas á procura de armas. Dizia o pai, que tiveram vários confrontos com grupos armados que se dedicavam a roubar gado de outras tribos e que vendiam no outro lado da fronteira. As patrulhas eram mistas, soldados brancos e indígenas montados a cavalo. Geralmente levavam 2 meses a patrulhar a fronteira que lhes estava destinada. Para isso, tinham que levar os mantimentos e também caçavam para se alimentar. A guerra entre os portugueses e a tribo dos cuanhamas, tinha terminado em 1918, os indígenas foram armados pelos alemães que governavam o Sudoeste Africano, e queriam alargar a fronteira até ao rio Cunene, tudo porque o Sudoeste não tem rios e assim ficavam a controlar as águas do rio. O pai serviu o exército durante quatro ou cinco anos em Angola,” nunca foi promovido, nem ele nem os colegas”. Mais tarde, os militares receberam um convite para ingressarem na recém estruturada PSP de Angola. É tudo o que sei sobre as aventuras do meu pai e como ele e outros moldaram e desbravaram o Sul de Angola. Como sempre a História nunca presta o devido tributo aos humildes.
    • Minhas Crónicas

      Caro amigo Manuel Rodrigues:
      Relate algo que tenha vivenciado naqueles tempos. O meu pai António Maria Soares tinha comércio junto à gagageira. A mercearia vendia peixe seco, fuba, vinho e outros alimentos de primeira necessidade. Aos sábados e domingos eram os dias da semana em que se reuniam grupos de aficionados do baralho e jogo do meco. Será o nome correto deste jogo onde os jogadores se postavam a uma certa distância uns dos outros e tentavam acertar com o lançamento das malhas o pequeno ferro colocado no chão, na vertical ?. Me ajudem. Vivi parte da minha juventude no BO onde palmilhava de uma ponta à outra aqueles areais muitas vezes já altas horas da noite. Lá conviviam em perfeita harmonia brancos e negros.

      Estou radicado no Brasil desde Outubro de 1975 em São Paulo, zona Sul de Santo Amaro no Bairro Jardim São Luiz. Não conheço Santa Catarina mas qualquer dia pretendo ir até aí. Estive no mês passado em Araxá onde conheci um conterrâneo nascido na Maianga e pertinho da Rua onde nasci.
      Meu celular é: (011) 7431 0691.

      Abraço,
      Luís M. Soares