Tomando as rédeas do nosso proprio cavalo

    • Tomando as rédeas do nosso proprio cavalo

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      Corrupção -
      Já à uns tempos que queria escrever sobre este tema mas confesso que me faltou a coragem.
      E faltou-me tal coragem porque não é fácil escrever ou mesmo ler sobre este assunto porque nos toca pessoalmente.

      No mundo da droga, existem os vendedores de droga e os drogados.
      Embora gostássemos de fazer desaparecer tais vendedores, na verdade a razão para isso seria para acabar com os drogados.
      Não me refiro a acabar com eles fisicamente porque estamos a falar dos nossos amigos, da nossa família e se calhar até de nós próprios.
      Mas queríamos que esse mau habito desaparecesse do mundo de hoje e cada um pudesse tomar conta das rédeas do seu cavalo.

      O mesmo acontece com a corrupção.
      Os políticos corrompidos são os vendedores da droga. As instituições que lhes pagam benefícios são os fabricantes da mesma.
      Mas os verdadeiros corruptos, os que dão razão à existência da corrupção são o Manel da esquina, a Maria vizinha, o Joaquim meu irmão e...
      muito possivelmente embora me custe a aceitar, eu próprio. Nós somos os culpados da existência da corrupção. Os drogados são os culpados
      da existência do mercado da droga.

      E porque somos nós culpados? Porque de uma forma ou outra, nós semi-corruptos, somos os que mantêm e prolongam esta epidemia que cada vez se alastra mais no mundo atual.

      Como assim?

      A única maneira de acabar com a corrupção é assumir uma tolerância zero.

      • Quando eu aceito uma nova lei que me beneficia mas que faz transtorno a uma outra classe social, estou a ser desonestamente semi-corrupto.
      • Quando eu aceito um benefício que sei não existir para outras pessoas que eu honestamente reconheço que também o merecem, estou a entrar no jogo da corrupção.
      • Quando eu aceito uma gorjeta ou um bônus porque fechei os olhos a alguém que dobrou a lei para seu benefício ou benefício de uma organização desfavorecendo outra, estou a ser corrupto.
      • Quando ajudo monetariamente numa campanha politica que me irá beneficiar a mim mas não ao vizinho, estou a ser tão corrupto como as organizações que pagam aos políticos por debaixo da porta.
      • Quando eu voto por alguém que eu sei não ser 100% honesto só porque irá beneficiar a mim na posição social em que me encontro, estou a corromper o país.

      • Quando eu fecho os olhos a injustiças sejam elas politicas, sociais, religiosas, locais, étnicas, etc. só porque não me afeta diretamente a mim, estou a auxiliar a corrupção fazendo de mim um semi-corrupto.

      Eu não sou perfeito. Reconheço que ao longo da minha vida não tenho sido 100% honesto para com aquilo que eu considero o bem. Por vezes não reconheço por falta de experiencia ou visão. Outras vezes não reconheço porque não me afeta diretamente. Outras vezes ainda não reconheço porque me beneficia a mim. De uma ou outra forma, eu sou o culpado da existência de corrupção no mundo.

      Falando globalmente, eu como parte de um todo, sou a razão porque existe tanta corrupção neste mundo.

      Aceitando e reconhecendo a minha cumplicidade na corrupção global é o principio do caminho para acabar com a mesma, porque a partir do momento em que reconhecemos tal realidade, iniciamos o nosso ajuste pessoal e o mundo melhora em cada decisão certa que fazemos a partir desse momento.

      Sem mim, se eu não aceitasse, não fechasse os olhos, não fingisse que não vejo, não deixasse que o vizinho fosse maltratado, se eu tivesse coragem para ter 0% tolerância para com a ideia a que chamamos corrupção, aqueles que oficialmente chamamos corruptos não teriam razão para existir.

      Nós, os bons, somos os verdadeiros corruptos. Os outros são simplesmente bandidos.

      Não apontemos os dedos para "eles". Comecemos por apontar o dedo para nós próprios e analisar a nossa própria conduta.
      Se todos nós honestamente nos ajustarmos e dissermos "desse vinho não beberei!", conseguiremos ver o fim da corrupção global ainda no nosso tempo. E se não acontecer no nosso tempo, conseguiremos deixar para os nossos filhos e netos um mundo bastante melhor.

      tony araujo
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      Author @ Amazon .... Tony de Araujo
    • Corrupção cultural

      Corrupção não é apenas a troca de dinheiro ou benefícios
      Corrupção é um estado de espirito, uma escolha do que é válido ou do que deixa de o ser.

      Quando dizemos que uma certa classe social, ou uma certa etnia é preguiçosa e não quer fazer nada, estamos a generalizar.
      Quando nós generalizamos em termos negativos, estamos a corromper o bom nome de um grupo de pessoas que não merece tal acusação.
      É puro atentado de corrupção quando recebemos um e-mail de amigos deitando abaixo uma pessoa ou uma cultura, e passamos o mesmo e-mail a outros amigos só porque achamos interessante ou balístico, sem nos darmos ao cuidado de pensar duas vezes sobre a credibilidade da informação.

      Através da cadeia de e-mails de amigo para amigo, vamos corrompendo e destruindo culturas, etnias, indivíduos que nem conhecemos, ideias de que nem sequer estamos familiarizados para as julgar...

      A regra doirada é a melhor maneira de parar com esta intrusão, este atentado ao bem estar dos outros:
      Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti.

      A próxima vez que receberes um e-mail sobre outra pessoa, organização ou cultura pergunta-te a ti mesmo se tudo aquilo é 100% verdade.
      Se tiveres a certeza de que pelo menos 1% não é verdade, não reenvies o e-mail a ninguém porque estás a contribuir para a difamação de outro ser humano.
      Isto é corrupção cultural.

      Author @ Amazon .... Tony de Araujo
    • Nepotismo é um termo que vem de nepos ou neto em latim, ou descendente.
      Nepotismo é o que se chama quando alguém favorece outra pessoa porque é familiar ou amiga pessoal, em prejuízo de pessoas mais qualificadas.

      Tentar ajudar os amigos e familiares é justificável até certo ponto. O difícil é saber quando estes favores se transformam em nepotismo, uma forma de corrupção.

      Em posições publicas, tais favorecimentos deveriam ser banidos.

      E porquê?

      Porque são pontos de arranque para grandes injustiças e uma receita a convidar uma corrupção ainda maior quando, no meio de amigos, se fecham os olhos às infrações que um ou outro vão fazendo.

      Acabam por proteger as costas uns dos outros e a corrupção vai aumentando num estilo tipo mafioso.

      Muitas organizações exigem que o candidato a um emprego declare todos os familiares, amigos e conhecidos que têm posições na organização.

      Esta medida não resolve totalmente a possibilidade de nepotismo mas de certo modo pode ajudar a minimizar o mesmo.

      Nepotismo na administração pública é epidêmico e uma grande afronta aos direitos de uma sociedade.

      Por outro lado, nepotismo cria um ambiente perpétuo de sobrevivência dividindo o mundo dos trabalhadores públicos e o mundo dos outros porque quando numa família todos fazem parte do setor governamental acabam por perder noção do que é pertencerem a uma família normal e depois passam a ser "eles versus os outros".

      O grande problema com esta divisão é que o sector publico tem muito mais força e influencia na gestão do país, acabando por criar leis para se protegerem a si próprios, em desvantagem do resto da sociedade.

      O que poderemos fazer?

      Todos nós estamos ligados a alguém com posições publicas, sejam eles os nosso filhos, primos ou até nós próprios.
      O que temos que fazer é analisarmos honestamente a nossa conduta e tentar ajustar um pouco as nossas ações para que elas não façam parte do aumento de corrupção.

      Agora, eu não sou demasiadamente ingenuo para pedir a um profissional do sector publico que largue as suas regalias e proveitos.

      Estou apenas dizendo que, antes de apontar os dedos para os outros, seja mais consciente e comece a ajustar a sua conduta de maneira a que seja menos hipócrita e mais construtivo em prol de um sociedade mais justa.

      A consciencialização do que se passa à nossa volta é o primeiro passo para iniciar projetos que tornem o mundo mais ameno para todos.

      O nepotismo representa a quebra do principio da impessoalidade porque sobrepõe o interesse particular ao interesse público.

      É a quebra do principio da moralidade administrativa.
      Quem trabalha no setor público deve obrigatoriamente ser ainda mais consciente nas suas ações do que quem trabalha no setor privado.
      Sejamos conscientes.

      ta

      Author @ Amazon .... Tony de Araujo
    • Graficação Instantânea

      Termino este capitulo ou esta quadra de textos escrevendo sobre o fenômeno moderno da gratificação instantânea.
      Estava agora numa das minhas rotinas de exercícios físicos que vou fazendo para não perder o balanço (corporal e mental) quando pensei neste termo - gratificação instantânea.

      Quem me dera que apenas com um assobio especial, pudesse instantaneamente perder uns quilos de peso, ou aumentar a musculatura uns centímetros para que pudesse aguentar melhor os meus ossos.

      Infelizmente não existe gratificação instantânea no que diz respeito a manter o corpo em forma.
      O mesmo se pode dizer sobre relações entre um ser humano para com outro, ou o estudo e dominação de um assunto, ou a construção de uma comunidade.

      Mais infeliz ainda é o facto de que a sociedade moderna, talvez devido à velocidade de informação que nos entra pela porta adentro todos os dias, quer ter resultados positivos de um dia para o outro.

      O mundo não se criou em dois dias, nem sequer em sete como reza a lenda. O mundo levou muitos milhões de anos a ser o que é hoje. Quando se fala em combater a corrupção, não se pode pensar em termos de que, de um dia para o outro exigimos que o mundo seja bom e sem pecado.

      Isso é pura utopia!

      Mais realista é o ajuste que todos nós poderemos fazer no nosso dia-a-dia, passo-a-passo, conscientemente talhando o caminho para o fim da corrupção crônica.

      No mundo real não podemos exigir que outras pessoas, outras maneiras de pensar, outras vivencias, vejam o mundo como nós o vemos.

      O que podemos fazer é tentar perceber como e porque razões os outros agem de certa maneira, assumir o melhor do que eles têm a oferecer, minimizar atrição, não julgar, não quantificar, não condenar.

      Não podemos modificar as outras pessoas, mas podemos dar o exemplo, podemos nós próprios dar aquele passo que tanto queremos que os outros deem. Requer coragem, requer disciplina, requer determinação, requer que deixemos de olhar para o nosso umbigo e pensemos em deixar um mundo melhor para os nossos netos.

      A razão porque o mundo está em caos é porque a maioria dos seres humanos no nosso século querem gratificação instantânea. Ninguém está interessado em sacrificar o seu modo de vida para que as próximas gerações possam ter uma vida melhor. Nós estamos dispostos a sabotar o mundo para conseguir um pouco de gratificação instantânea.

      A informação que nos entra pelas portas adentro tem muito a ver com o resultado da nossa atitude. Vemos os vizinhos com lindas casas, grandes carros, férias quase que para nós só mesmo em sonho, e queremos ter as mesmas regalias sem reparar que a beleza da vida e o bem estar nada têm a ver com os haveres materiais mas sim com a felicidade de sermos cordeais uns para com os outros, respeitando e não julgando só porque nos satisfaz pensar que o fulano ou a fulana do lado é mais ou menos do que nós somos como pessoa. Como saberemos nós que ele ou ela é menos ou mais do que nós? já alguma vez caminhamos nos seus sapatos?

      Quando era miúdo gostava muito daquele provérbio Cheyenne que é o seguinte: não julgue um homem antes de andar 2 luas em seus mocassins.

      Gratificação instantânea é a semente da corrupção. Se nos conseguirmos curar da necessidade de tal droga, encontraremos finalmente o caminho de um mundo mais feliz para todos, uma felicidade com substancia e com alicerces fortes e duradouros.

      ta

      Author @ Amazon .... Tony de Araujo
    • Corporatocracia

      As "elites" passam a vida inteira amontoando dinheiro que depois utilizam para subornar, dividir e conquistar o resto da sociedade.

      A única maneira de vencermos contra o poder do dinheiro é através do nosso espirito de coragem e solidariedade.

      Quando finalmente voltarmos a ter coragem e sentirmo-nos solidários uns para com os outros, poderemos então ganhar força politica e estratégia suficiente para combater a corrupção, o fraude e a corporatocracia.

      Enquanto agirmos como semi-corruptos nunca conseguiremos vencer o diabo que nos dá o pão.

      O pior é que, pelo que já sabemos, o mundo tem tendencia em piorar porque nós, a classe média, somos passivos.

      E somos passivos porque nos sentimos seguros pois "o mal só acontece aos outros".

      Mas será que é verdade?

      Não será que, como nós fechamos os olhos ao que acontece aos outros, eventualmente chegará também a nossa vez porque a tendencia é a de acabar com a classe média?

      Eu hoje infelizmente estou convencido que sim.
      Está a chegar a nossa vez.
      E enquanto defendermos e fecharmos os olhos à corrupção, somos cúmplices e culpados do que se está a passar pelo mundo afora.




      Author @ Amazon .... Tony de Araujo