Manifestação de jovens angolanos contra o Status Quo

    • Mudanças em contramão

      Meter-me em política é algo que nunca fiz nem tento fazer.
      Tenho ideias próprias, como todos, mas não posso julgar as ações dos outros
      porque não sou essa pessoa nem tenho contacto com ela.

      Quem sou eu para julgar um governo ou um povo...
      Quem sou eu para julgar alguém que se sente revoltado ao ponto de fazer um protesto nas ruas da sua comunidade?


      Só quem calça os sapatos de uma outra pessoa ou organização
      poderá sentir as razões porque certas decisões são tomadas
      e porque outras não são.

      Existe uma frase em inglês que vai assim:
      Pick your own battles carefully.
      (Escolhe as tuas batalhas com cuidado).

      Escolhe as razões porque lutas e não tentes lutar em todas as frentes.

      Por vezes ficamos emocionados com uma causa, dali a pouco com outra... e assim por diante.
      No fundo nunca fazemos diferença nenhuma... e porquê?

      Porque nos dividimos demasiadamente e não nos concentramos num só projeto, um que valha a pena lutar por ele.

      A emoção é sem duvida destrutiva, em vez de construtiva.

      Em basquetebol diz-se para "proteger a bola e manter o olho no cesto, não na bola".

      Em Angola assim como aqui nos E.U. onde vivo, o cesto é a urna do voto como se referiu a Karina numa das suas intervenções.

      Concentrar grupos de pessoa para ações púbicas que colocarão dois ou três na primeira página do jornal e que poderão até acabar em violência mas que não produzem resultados duradouros, só destrói a possibilidade de um futuro melhor, porque divide as opiniões sobre o que é ou não importante baseado nos resultados destrutivos ou violentos --- ou no medo do cidadão comum em sair à rua. Além disso, a violência nunca mudou mentes, apenas as dominou temporariamente.

      Concentrar grupos para influenciar outros grupos a fim de votar pelas entidades mais apropriadas para governar uma nação é a meu ver, a maneira mais correta e eficiente de fazer uma diferença imediata no futuro de um país.

      Outra diferença mais duradoura ainda e mais apropriada para os jovens, é irem à escola. É lerem assiduamente, é tornarem-se cultos, aprenderem sobre as leis vigentes, saberem como elas funcionam e porque funcionam ou porque não funcionam... é tornarem-se parte de uma sociedade que consegue fazer diferença a nível local, no seu meio comunitário.

      Em vez de olharmos para uma mudança radical de uma estrutura governamental, podemos antes olhar para uma mudança a nível dos nossos bairros, da nossa própria comunidade... uma mudança positiva, sem violência, através da comunicação e insistência para que o governo local mantenha o olho no cesto da sua comunidade. Se cada comunidade tiver meia duzia de pessoas bem intencionadas com conhecimentos das leis, com conhecimento das necessidades dos residentes, com conhecimento dos desejos governamentais a curto e a longo prazo para que os seus bairros sejam afetados positivamente, com interesse em irem a reuniões, ouvirem as várias opiniões a sangue frio, ouvirem os seus vizinhos, a sua comunidade com carinho, dar um exemplo pacifista mas construtivo aos mais novos... aplicarem para fazerem parte da estrutura local do governo - não para proveito próprio mas para proveito da sua comunidade... tudo isto resulta sempre, quase sem exceção, em mudanças positivas e duradouras, bairro a bairro.

      De uma coisa estou certo, o mundo não pára à nossa espera!

      Só temos uma oportunidade de cada vez para fazer as coisas corretamente. Os erros deixam marcas bem vincadas no nosso rosto conforme envelhecemos... especialmente quando verificamos que poderíamos ter conseguido algo mais positivo se tivéssemos tido calma e agíssemos mais inteligentemente... mas os erros são também uma ferramenta que nos ajuda nesta nossa aprendizagem a cidadão do mundo.

      E já agora, a única maneira de ter a certeza de que vivemos num país onde existem leis, é nunca as quebrar por mais injustas que pareçam ser. Um país de leis só tem um caminho para as modificar, através da legislação, do voto, da participação e atitude de cada cidadão a começar na sua própria casa, depois nos seus bairros, nas escolas, nas igrejas, nas suas cidades, no país.

      A força nunca resolveu problemas em lado nenhum. É através do dialogo continuo que mudanças permanentes se tornam realidade.

      Deste lado do mundo onde nem tudo é um mar de rosas posso dizer que a minha realidade -- o meu bem estar -- afeta a realidade de outras pessoas, em outros bairros, cidades, países, continentes... estamos todos interligados uns aos outros. Essa a razão porque devemos deixar de olhar para o nosso umbigo e manter o olho no cesto, não na bola que se encontra neste momento em nossas mãos.

      Namasté

      tony araujo

      Author @ Amazon .... Tony de Araujo
    • Ola Tony tudo bem?

      Bom mais uma vez venho "doar" os meus 2 tostões ao seu fio...Talvez por ser jovem e angolana..

      Mas também porque quero que comecemos a abrir as nossas mentes para a verdade que é uma só .. Ninguém gosta da politica.. Mas quando os políticos cometem erros infelizmente a maioria neste caso nós o povo é que arcamos com as consequências, e estas consequências podem se fazer sentir durante seculos, então é importante termos uma opinião e acima de tudo vermos em que direcçao os nossos políticos/governo estão a nos levar para depois não chorarmos amargamente a suspirar aquela frase que eu detesto tanto "se eu soubesse"..

      Quanto ao caso da manifestação parece que "bola de neve" já está a ser formada, a semana passada falei com o meu irmão e ele disse me que nas províncias do Huambo e Bié a coisa foi seria chegando a haver mortos como consequências da manifestação entre os manifestantes e a policia..

      E sobre isto que eu quero aqui expôr vou dar 2 exemplos :

      Desde 2002 que estamos em paz, por exemplo se eu tiver uma carro e vivo em Luanda (classe média ) num final de semana prolongado eu posso decidir ir ao Huambo ou Benguela desde que me prepare pra arcar com os custos da minha estadia nas devidas províncias..

      Agora outro exemplo se eu for uma "zungueira" (vendedora ambulante) que sai da minha província devido á guerra e tento a vida em Luanda, cada vez que a policia vem à minha atrás as vezes batem me ou chegam a rasgar as minhas roupas em plena rua sem pudor nenhum e muito menos respeito por min como ser humano , abuso extremo sem contar que levam o meu pão de cada dia.. Isto acontece inúmeras vezes por ano e claro quase todos os zungueiros/as sofrem os mesmos maus tratos pela policia especialmente na capital do pais.. Ninguém ouve os meus gritos de lamento e vem me socorrer

      A pessoa na primeira situação vai olhar pra o voto como uma saída , agora o vendedor ambulante frustrado que não tem as minimas condições de vida é uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento bastando estar exposta ha condições favoráveis a isto..

      E é neste contexto aonde "certas figuras' entram em cena porque esta pessoa maltratada vai criando uma revolta inicial que só cresce ha cada dia, e estas figuras entram em cena de maneiras a explorar esta frustração de forma a criar violência o que e triste...

      Nós temos vários partidos em Angola , mas se for ao Norte de Angola numa zona rural e perguntar quantos partidos existem vão responder lhe que só existem 3 nomeadamente : MPLA, FNLA e Unita

      Se for ao Sul e ao Centro de Angola numa zona rural e fazer a mesma pergunta a resposta sera : MPLA e UNITA..

      Ao Leste de Angola é a mesma coisa ...

      E se formos recuar no tempo em 1992 houve eleições em que uma das partes perdeu e reagiu de uma forma agressiva a esta perda.. O que o povo angolano não esqueceu... E se formos haver estes 3 partidos andam em lutas internas que só prejudicam as suas bases..

      Resultado: Sempre que existem eleições o povo sempre vota no mesmo partido, e os restantes em vez de aceitar a derrota e trabalharem de forma árdua e pacifica de maneiras a melhorar a sua performance nas futuras eleições, preferem queixar se de "fraudes" á espera que um "certo anjo" oiça as suas queixas e decida fazer milagres.. Em 1992 houve "fraudes" nas eleições e resolveram retornar a guerra e quem mais sofreu? o povo angolano....

      E esta é a atitude do mesmo partido é sempre a mesma não estou aqui a defender nenhum partido mas vou dar um exemplo concreto usando a Africa do Sul.

      Em 2004 nas Eleições o ANC saiu vitorioso seguido do DA (Aliança democrática), em 2009 todo mundo pensava que o adversário do ANC seria o COPE partido formado por dissidentes do ANC, mas não novamente o DA saiu se como adversário e este ano nas eleições municipais ainda deu uma corrida no ANC em certas áreas tradicionais do partido e isto porque?

      Desde 2004 o partido mudou e decidiu fazer uma campanha agressiva a sua imagem de um partido maioritariamente branco hoje é um partido misto e quando há debates todo mundo ouve o que eles tem a dizer e claro pode ser que não ganhem nas próximas eleições presidências, mas da maneira que estão a progredir não duvido que o façam daqui ha umas décadas.. Tudo isto porque pensam na sua imagem como partido perante o cidadão sul africano.. Nota se que aprendem com os erros cometidos de maneiras a melhorar no futuro

      É vale citar que o DA nunca foi "chorar" a nenhuma instituição internacional a se queixar de fraude pelo que eu saiba.

      É um exemplo que os nosso partidos em Angola deviam tirar mas não só sabemos que o partido A ou B existe durante as campanhas eleitorais e claro que o povo acaba sempre por votar em que já conhece ha anos, não por ser a melhor escolha mas por ser a única escolha viável..

      Na minha opinião os partidos angolanos tenhem que fazer mais pelos angolanos, infelizmente o que me parece é que os candidatos estão mais interessados a ganhar um assento no parlamento por causas das "mordomias" convenhamos do que, para representar o povo angolano, poucos são os verdadeiros nacionalistas e isto é que me preocupa.. Porque quando um politico está mais interessado em usufruir das "mordomias" do que lutar pelos interesses do cidadão comum, o povo sofre e até aqueles que dizem "não me interesso por politica' não estão isentos disto... Porque cabe me a min como cidadão fazer a escolha certa na altura de votar pra depois não estar a chorar durante 4 anos ou mais..

      E mais uma vez la se foram os meus 2 tostões..

      I hope that someone else adds more..

      Thanks!